Como continuação da nossa viagem para a Ásia Central foi a vez de visitar o lindíssimo país do Uzbequistão.
Logo após a nossa chegada fomos levados ao escritório da agencia de turismo para a entrega de nosso itinerário de viagem. Como lembrança a agência nos presenteou com uma linda bolsinha toda bordada.
Achamos a atitude bastante delicada, mas o entendimento deste presente veio logo a seguir, quando paramos junto ao cambista para trocarmos alguns dólares.
Para os 100 dólares trocados inicialmente veio uma pilha de notas que certamente não caberia em nenhuma carteira comum; somente na linda bolsinha bordada presenteada pela agencia; tal a desvalorização da moeda nacional na época.
Creio que depois de Singapura este foi o país mais limpo que já visitei. Ao longo da nossa estadia lá, não cruzei com sequer um pedaço de papel jogado no chão. O povo parece bastante organizado e mesmo nas áreas rurais mais pobres não vi sujeira alguma.
O povo do Uzbequistão lembra muito fisicamente o russo e dele tem uma forte influência, pois durante a segunda guerra, o direcionamento das tropas alemãs para dentro do território russo promoveu um êxodo de milhares de famílias que foram acolhidas por este país.
Com a dissolução da União Soviética, novamente milhares de famílias retornaram à Rússia, porém, uma boa parte da população com mais idade ainda fala o russo.
O país se declara mulçumano mas, ao menos na capital e cidades que visitamos, cruzamos com muito poucas mulheres ou homens vestidos de acordo com a tradição muçulmana.
Já na fronteira com o Afeganistão o fanatismo e terrorismo está presente, mas o governo faz muito esforço para impedir o avanço deles.
Tanto a capital, como as outras cidades que visitamos são majestosas com monumentos lindíssimos que datam da época da rota da seda, onde as cidade eram importantes entrepostos comerciais com grandes bazares e caravançarais.
A paisagem, de uma forma geral é bastante árida e fomos numa época do ano de temperaturas altíssimas, e mesmo assim tomamos o cuidado de nos vestir de acordo com a cultura local.
Em qualquer viagem que faço sempre pesquiso sobre a cultura local, vestimentas, o que podemos ou não podemos fazer e maneiras de se comportar para haver o menor desconforto possível. Isto envolve, as vezes, passarmos um pouco mais de calor…
Sempre tomo como exemplo a presença de uma europeia vestida com um micro shorts e camiseta numa cerimônia fúnebre na Indonésia…Certamente ela não se vestiria assim no enterro de sua avó. Ou mesmo o perrengue que passamos ao visitar o templo dos ratos na Índia onde precisávamos entrar descalços no local…. Graças a minha pesquisa anterior tínhamos meias e pró-pés para nos proteger.

Nossa visita em Tashkent a capital começou no bairro antigo bastante preservado.
Depois nos dirigimos ao complexo Khajt-Iman que é composto por uma mesquita com uma praça muito grande e que na reza de sexta-feira à tarde fica absolutamente lotada e impossível de ser adentrada. Ao lado, a Madrassa (escola que forma lideres religiosos) e é neste complexo que se encontra também o Alcorão mais antigo do mundo.
A próxima visita foi no bazar central que é muito bem construído e com uma infinidade de frutas secas, carnes, pães e frutas.

No caminho de volta para o centro da cidade nosso guia fez questão que fossemos de metro, e o mais interessante foi observar a forte influência russa no metro da cidade.
No dia seguinte fomos em direção Khiva, considerada um patrimônio mundial da Humanidade.
É uma cidade fortificada onde é possível visitar inúmeras construções históricas. Impressionante é a torre de Kalta-minor que não chegou a ser completada para ser um minarete e que é recoberta de azulejos azuis entrelaçados.

O tour segue por madrassas, mesquitas, palácios e bazares.
A cidade tem um astral bastante sofisticados e ao final da tarde pudemos sentar em restaurantes e apreciar a comida local.
Buchara nosso próximos destino já me soava familiar quando penso em “tapetes persas”. Na realidade a grande maioria de tapetes persas que chamamos de Buchara são produzidos no Turcomenistão e vendidos nesta cidade deste o tempo da rota da seda.
O país é o segundo maior exportador de algodão do mundo. Um artesanato muito típico da região são as Suzanes (panos lindamente bordados que servem para cobertura de cama, parede e feitio de lindas sacolas) que podem ser compradas nos bazares. A cerâmica local é também riquíssima em detalhes.
O passeio nesta cidade envolve novamente mesquitas, madrassas e palácios.

A população era bastante curiosa com a gente especialmente as mulheres se aproximavam muito de mim e minha nora.

Imperdível é o banho turco da cidade. Uma pequena porta leva a um recinto com mais de 300 anos de idade onde o ritual do banho continua o mesmo. Fomos atendidas por uma senhora e duas jovens que estão seminuas pois são elas que nos dão o banho.
Inicialmente ficamos estendidas num chão de pedra quente usufruindo desta sauna úmida. Após algum tempo elas nos colocam sentadas e com um balde e esponja nos banham desde a cabeça até os pés. Bom… depois de algum minutos de constrangimento consegui relaxar e aproveitar. Este é um banho exclusivamente feminino e bastante frequentado por mulheres locais. O outro disponível na cidade é misto e fortemente turístico prejudicando um pouco a experiência.

Samarkand nosso próximo destino é uma cidade grandiosa com a praça Registan como atração principal, que me deixou extasiada. Mesquitas, madrassas e bazar compõe este complexo.

Segue-se na cidade a visita a outros pontos históricos maravilhosos, como o observatório astronômico do século XV, Ulugkek; a necrópoles de Shakhi Zinda que tem uma rua com mausoléus de ambos os lados todos revestidos em azulejos azuis e abobadas azuis no topo formando um conjunto espetacular.

Ah, uma curiosidade, o encanamento de gás de distribuição para as casas passa pela superfície das calçadas e edifícios formando um desenho de fachada muito pitoresco.

O hotel escolhido por nossa agencia nesta cidade ficava num bairro algo afastado do centro, o que dificultou durante a noite acharmos um restaurante para jantar. Após alguns quarteirões de caminhada passamos em frente a uma garagem aberta que parecia um restaurante familiar, mas que já estava fechado e a família estava fazendo a refeição noturna quando entramos.
Ficaram muito felizes com a nossa aproximação. Perguntamos o que estavam comendo e mais que prontamente se ofereceram para nos servir o jantar.
Logo, logo, estávamos todos juntos “conversando”, comendo o plav (arroz cozido com carne de carneiro, vegetais e condimentos) e brindando com vodka. Foi tão boa a experiência que prometemos voltar no dia seguinte.

Se posso resumir em 3 palavras o que foi para mim o Uzbequistão:
– Majestade
– Limpeza
– Afeto