SERVIA

Viajar em tempos de pandemia é um desafio…      

Aproveitando que o COVID deu uma pequena pausa na Europa, com liberação de alguns destinos para brasileiros, e estando devidamente vacinados, fomos conhecer nosso netinho que nasceu há 6 meses.

Na impossibilidade de entrar no país onde mora meu filho combinamos de nos encontrarmos na Servia, que seria conveniente para todos.

Requereu uma certa organização e tolerância.

– PCR para sair do Brasil e entrar na Servia.

– Antígeno para ingressar na Bósnia.

– PCR para reentrar na Servia e voltar para o Brasil.

É relativamente barato viajar nos Balkans.

A Servia é um pais onde a economia parece estar estagnada, e não vemos industrialização ou obras acontecendo nas estradas e cidades.

O sul é bastante montanhoso, enquanto que o norte por suas planícies é considerado o celeiro do país. E foi para lá que nos dirigimos.

Alugamos uma casinha bem isolada numa vila aos pés do Fruska Gora (uma montanha que se destaca naquela imensa planície) é que é um parque nacional.

A vila Vrdnik, é um balneário turístico em função das termas locais. Então, foi muito agradável ficar esta semana por lá. O clima era de férias de verão com a cidade lotada de turistas.

A região oferece vários daytrips o que foi muito conveniente para um bebe pequeno, como o nosso.

Vários mosteiros ortodoxos do séculos XV podem ser visitados. Eles apresentam na maioria a mesma formação arquitetônica com um corpo residencial onde as freiras ou monges estão alojados que circunda a uma igreja, sempre muito bem conservada.

O vinho da Servia está ganhando fama no mercado e pudemos visitar algumas vinícolas locais onde compramos vinhos deliciosos por 3 a 4 Euros.

Um dos passeios que fizemos foi a Novi Sad, que é a segunda maior cidade da Servia. À beira do Danúbio, é uma cidade sem modernização alguma, apresentando o mesmo aspecto que na época da dissolução da União Soviética. Possui vários prédios históricos que registram um passado turbulento e uma sinagoga do começo do século XX que hoje não tem mais esta função, mas que por sua acústica perfeita é palco de concertos.

Neste ano a cidade de Novi Sad foi escolhida como a capital da cultura na Europa. É lá que acontece o Exit festival que estava começando no período que estávamos por lá.

Foram construídos 40 palcos pela cidade e fortaleza e um desafio para o governo juntar milhares de pessoas em tempos de COVID.

A fortaleza de Petrovarin é uma antiga fortaleza originalmente ocupada pelos romanos e, mais tarde reconstruída no século 17 pelo Império Austro-Húngaro como um barreira contra a invasão turca.

É uma majestosa visão para quem navega pelo Danúbio.

O Danúbio sempre foi no meu imaginário sinônimo de romantismo, e fez jus a isto. É um rio imponente que corta a Europa oriental, passando por grandes capitais, campos e cidadezinhas charmosas.

Outro daytrip foi a cidadezinha de Sremski Karlovci. Tendo sido no século XVII o centro da Igreja Ortodoxa Servia, é uma cidadezinha muito charmosa. Possui várias construções de arquitetura Austro-húngaras, e ruelas com vinotecas e restaurantes que podem ocupar o dia todo de visitação.

Belgrado, a capital, está localizada na confluência dos rios Sava e Danubio.

Dando uma belíssima visão desta confluência está o Parque Kalemegdan .

É um parque enorme com várias atrações, sendo a mais importante delas o forte que sobreviveu a 2000 anos de conflitos.

O bairro de Skardalija bem no centro da cidade é onde acontece a vida noturna da cidade com muitos restaurantes com comidas típicas e música ao vivo.

Falando em comida, a Servia tem a culinária que remete aos turcos-otomanos que ocuparam a região por muito tempo (baclavas, charutinhos e cepavcici, que são linguicinhas ao estilo shishkebab) e, resultado da ocupação do Império Austro-húngaro doces maravilhosos que lembram as docerias vienenses. Outra delícia local é o Ayvar, uma pasta de pimentão condimentado que acompanha carnes em geral.

Outros pontos de visitação na cidade são: a Igreja Ortodoxa de St Sava, a Praça da República, e a principal e muito movimentada região comercial da cidade, aberta somente para pedestres, muito alegre, com restaurantes na calçada e …ninguém usando máscaras.

Somente em lojas, supermercados, e transportes coletivos o uso de máscara é obrigatório, mas mesmo assim não muito controlado.

Naquele momento, 40% da população já havia sido vacinada e alguns locais de vacinação por onde passamos não vimos movimento algum de pessoas entrando ou saindo.

A verdade é que fora o stress dos aeroportos e voo, me sentia muito menos exposta ao vírus na Servia ( onde a taxa de contaminação estava pequena)do que me sinto no Brasil, hoje em dia.

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