LETÔNIA

Cheguei em Riga vindo de ônibus da Lituânia.

A viagem é rápida e não existe fronteira formal entre os dois países.

Tinha ouvido falar muito bem de Riga.

Queria saber de onde vinha o famoso “ Pinho de Riga”, que chegou ao Brasil nos séculos XIX e XX como lastro dos navios e que foi muito utilizado nas construções.

É uma madeira clara e com veios bem marcados e hoje é bastante valorizado pelos arquitetos.

Logo descobri que o pinho não vinha somente de Riga, mais sim de toda região do Báltico e era despachado no porto de Riga.

Logo após a fronteira notei a diferença entre a Lituânia e Letônia, pois de um pais em franco desenvolvimento que é a Lituânia chegamos num país onde a economia está visivelmente mais estagnada.

Estradas precárias de mão única e a terra muito menos trabalhada e com casas mais degradadas.

Também em Riga vimos pessoas empobrecidas, malvestidas e até moradores de rua.

Mas a cidade é uma belezura!

O centro histórico é da época medieval e está relativamente bem preservado, com grande afluxo de turistas.

É nesta região que esta localizada a maioria dos hotéis, restaurantes e é onde acontece a vida cultural da cidade.

Na época medieval a cidade era delimitada por uma muralha. Mas, em algum momento esta muralha foi demolida (somente um pequeno trecho se mantem preservado), e no seu local foi construído um lindo jardim que acompanha o Canal de Riga.

Este jardim é bastante frequentado e dá uma graça à cidade.

Visitamos inicialmente o grande mercado central.

Lá se encontra de tudo, desde frutas, verduras, roupas e etc., mas o que me atraiu de verdade foram as bancas de alimentos em conserva e defumados.

É de uma variedade que nunca vi igual.

Para além do canal, está o que os locais chamam de “centro de cidade”, e é lá onde a vida econômica acontece.

Riga é muito conhecida pela concentração de edifícios “art nouveau” e foi declarada patrimônio histórico em função deste detalhe.

A maior parte destes edifícios se encontra para além do canal.

Uma região lindamente arborizada e com a cara de muitas das cidades da Europa Ocidental.

Visitamos alguns edifícios e entramos no museu dedicado a este tipo de arte.

Foi muito interessante pois era bastante detalhado, fazendo referência a arquitetos e as obras dos mesmos.

Deixamos para percorrer o centro medieval no dia seguinte com o guia do “free walking tour”.

Foi um passeio bem rico, cheio de informações históricas e costumes locais.

O edifício icônico que é a “casa das cabeças negras” foi construído em 1334 pela” irmandade dos cabeças negras”.

Era uma guilda formada por jovens comerciantes locais, e tinha como santo padroeiro, São Mauricio, que era retratado como negro.

Ao longo do tempo sofreu várias reformas até que depois da segunda guerra mundial ficou praticamente destruído.

No fim do século 20 foi reconstruído pela união soviética e hoje tem um pequeno museu e os salões de festa da época.

Na frente deste edifício está o local onde dizem ter sido montada a primeira arvore de natal do mundo!

Conseguimos achar ingressos de última hora e fomos a um espetáculo de ópera na “Opera e Ballet Nacional da Letônia”.

É um edifício neoclássico do sec. XIX às margens do Canal de Riga e ao lado do Monumento da Liberdade (que é onde acontece as comemorações e manifestações públicas).

 No intervalo do espetáculo parte do público se dirige ao subsolo num lindo salão de chá para beber um vinho, chá e algumas comidinhas.

Fechamos a nossa passagem pela cidade numa grande caminhada ao lado do Rio Duína Ocidental e atravessando uma de suas diversas pontes para apreciarmos o pôr do sol e o visual desta linda cidade a uma certa distância.

Só para deixar anotado, que foi na Letônia que completei meu 100. ° país visitado.

Para uma viciada em viagens como eu, tinha este desejo, e me proposto a completar 100 países antes de completar 70 anos.

E assim o fiz :).

LITUÂNIA

Começo por relatar que esta foi minha segunda viagem para a Lituânia.

A primeira foi há 23 anos atrás em 2002.

Naquela ocasião fui com minha irmã e minha mãe que é nascida lá.

A intenção da viagem era um retorno as raízes da família.

Minha mãe veio com 3 anos para o Brasil em 1929 fugindo da perseguição aos judeus na Europa.

Veio com o pai, a mãe, e outros familiares.

Mas, os avós e outros parentes não acreditavam que algo pior pudesse acontecer e acabaram ficando no país.

Foram todos mortos pelo nazismo.

Chegamos em Vilnius, e através de um contato fortuito com um médico local, ele nos indicou um paciente seu para nos acompanhar.

Ele era judeu, tinha um carro, falava inglês (que na época ninguém falava no recente termino do bloco soviético) e ultimamente estava fazendo este tipo de trabalho, que era acompanhar pessoas que vinham ao país a procura de suas origens.

Ele nos dirigiu à Rokiskis, pequena cidade de origem de minha mãe, onde visitamos o antigo bairro judaico tentando imaginar qual daquelas casas teria sido a casa dela.

E por um golpe de sorte, também fortuita, localizamos os restos do cemitério judaico totalmente abandonado e revirado no meio de um campo aos redores da cidade.

Foi uma experiência impactante e muito emocionante.

No retorno a Vilnius ele nos levou à uma floresta, que hoje é um parque, onde encontramos um monumento dedicado ao massacre dos judeus daquela cidade.

Este monumento encontra-se ao lado de um grande buraco de cerca de 30 metros de diâmetro onde os judeus eram levados da cidade, colocados ao redor deste buraco e metralhados.

Outros judeus, que eram mantidos ali como prisioneiros, eram obrigados a jogar cal e terra sobre os cadáveres para poder receber uma nova leva de pessoas chegaria no dia seguinte.

Ele mesmo, Davi, nosso motorista, foi salvo porque sua família foi protegida por um fazendeiro local que os abrigou no porão de sua casa por 3 anos.

Agora, tanto tempo depois retornei à Lituânia.

Encontrei um país bastante diferente.

Já livre do ranço comunista, a cidade de Vilnius está sendo totalmente remodelada na intenção de preservar o centro histórico para o turismo crescente da região.

A maioria dos edifícios da cidade antiga tem este conceito de um arco na fachada que permitia o acesso a cavalos e carruagens para o espaço interno. Achei bem peculiar.

Fizemos um “free walking tour” bastante informativo.

Agora, quase 100% da população mais jovem fala inglês, então ficou bem fácil nos movimentarmos pelo país.

Alugamos um carro e nos dirigimos à Klaipeda na costa do mar Báltico por uma excelente autoestrada.

Uma vez no litoral atravessamos de ferry boat para Smyltines, que é um istmo ao longo da costa da Lituânia e que é, na sua maioria, um parque nacional.

Era um fim de semana relativamente quente e ensolarado e o parque estava lotado de turistas.

Nos hospedamos numa marina e fizemos vários passeios pela região, passando por florestas, praias e pequenos vilarejos muito bonitinhos.

Conversamos com moradores locais que nos disseram sentirem-se bem felizes com o desenvolvimento do país, mas, no momento algo preocupados com o escalonamento da guerra Ucrânia/Rússia.

São total apoiadores da Ucrânia e a bandeira da Ucrânia está hasteada em inúmeros locais públicos e privados.

A impressão que ficou é de um pais em desenvolvimento bastante acelerado e bem organizado.

Parece ser o mais rico dos países bálticos e nós pudemos conferir isto quando fomos em seguida para Letônia.

ISLÂNDIA

Antes de descrever esta viagem gostaria de fazer pontuar algumas questões.

Por uma demanda familiar, fizemos esta viagem aderindo a um pequeno grupo organizado pela empresa islandesa de nome “Troll”.

Este não é meu perfil de viajante. Prefiro viajar por conta própria na maioria dos destinos, ou mesmo, tour organizado de forma individual (“taylor made”) em alguns países mais complicados.

Islândia é um país perfeitamente possível de ser percorrido por conta própria, pois é bem desenvolvido.

Apesar das estradas serem de mão única, são maravilhosas e bem sinalizadas.  Alojamentos bons disponíveis em todos lugares e acesso a pontos turísticos muito bem demarcados. Supermercados também bem acessíveis possibilitando uma alimentação fora dos caríssimos restaurantes.

Cruzamos com várias “campers”, “motor homes”, bem como ”campings” pelo caminho indicando uma variedade enorme de possibilidades de realizar esta viagem.

A viagem em grupo limita a apreciação dos locais mais livremente; tendo que indo de um ponto a outro de forma mais apressada para poder cumprir um roteiro já pré-determinado.

Fui no começo de setembro, e posso dizer que para mim, que detesto frio, as temperaturas estavam já estavam um pouco aquém do que gostaria. A estratégia de se vestir com camadas de roupas é o que mais se adapta a este clima super instável da ilha.

E mais, não existe a possibilidade de não chover.

Então, todos os dias precisávamos estar preparados para visitar os locais debaixo de chuva mesmo.

Mas este é o espírito da viagem à Islândia …saber que vai ter que sair do carro para poder visitar as belezas naturais na maioria das vezes com muito vento, frio e chuva.

Mas isto perde a importância quando nos deparamos com visões espetaculares e de tirar o fôlego.

Uma vantagem de se escapar do pico turístico de julho/agosto é a menor presença de turistas; mas mesmo assim havia uma quantidade relevante deles.

O turismo da Islândia explodiu após 2010, quando o país ficou mais conhecido, após, uma grande erupção vulcânica em que as cinzas se espalharam chegando fechar vários aeroportos em toda Europa.

Desde então a Islândia entrou no mapa turísticos mundial.

Como consequência começaram a faltar hotéis, restaurantes, e mão de obra para suprir a nova infraestrutura turística do país.

Abriu-se então as portas para imigração, levando à mudanças sociais e conflitos relevantes, como tem acontecido no resto da Europa.

A viagem é muito cara, pois tudo que chega nesta ilha isolada no atlântico norte tem que vir de navio ou avião.

A alimentação é cara e de baixíssima qualidade e variedade, sendo baseada em carne de carneiro e peixes do mar do norte e batatas.

“Fish and Chips” e hambúrgueres são o carro chef de qualquer restaurante.

Frutas e verduras, nem pensar…

Demos uma volta de 8 dias em torno da ilha.

O foco de uma viagem à Islândia é apreciação da natureza.

Vulcões, glaciares, geysers, fontes termais e muita agua.

É a natureza crua e bruta!

Não houve um dia que ficássemos sem ver no mínimo de 2 a 3 cachoeiras.

Não existem arvores na ilha e a piada que contam é que, se você se perder nas florestas da Islândia como deve reagir? É só se levantar 🙂

O governo tem importado milhões de arvores tentando criar alguns nichos de florestas, o que tem sido bem-sucedido pois tem aumentado o número de animais silvestres, pois eles acabam tendo locais mais protegidos para procriação.

Começamos o passeio em direção ao sul, pelos locais mais turísticos a partir de Reikjavik, o chamado “Golden Circle”.

Inicialmente passamos por esta que é a divisão de duas placas tectônicas, da América e da Europa e que estão se afastando alguns centímetros por ano resultando nesta visível dramática fenda.

Em seguida visitamos a nossa primeira área geotérmica, e em seguida uma lindíssima cachoeira chamada Gulfoss que é consequência de degelo glaciar.

Segundo dia visitamos mais cachoeiras, uma linda praia vulcânica chamada “black sand beach” e uma caverna de gelo dentro do maior glaciar da ilha.

Terceiro dia fizemos um “hike” neste mesmo enorme glaciar e visitamos um dos pontos mais icônico da região que é a Jokulsarlon Glacier Lagoon.

E bem ao lado a “Diamond beach” que leva este nome porque os pedaços de gelo que vão se soltando do glaciar são levados para o mar através desta lagoa, e com o movimento das ondas, acabam sendo jogados de volta para praia lá permanecendo e criando uma paisagem espetacular.

Partimos então em direção ao leste do pais passando por fiordes e mais cachoeiras.

Terminamos este dia tomando um banho em piscinas termais que chegam a 48 graus; e com a possibilidade de dar um mergulho no lago adjacente de no máximo 10 graus. Um choque revigorante!

No quinto dia do passeio já no norte da ilha, chegamos após uma pequena caminhada na praia de Stuolagil com enormes colunas basálticas.

A região de Namaskaro é bastante singular com diversos depósitos minerais criando uma paisagem idílica e vários lagos de lama borbulhantes e erupções termais.

O sexto dia de viagem foi ocupado visitando uma graciosa vila de pescadores e logo após um passeio de barco para avistar baleias, que na verdade não impressionou muito pois estava ventando muito, chuviscando e vimos somente 2 baleis que se apresentavam de vez em quando…

Passamos o sétimo de viagem já no lado oeste da ilha visitando vários pontos na península de Snoefellsnes

Dormimos esta noite num hotel fazenda com a possibilidade de vermos a luzes da aurora boreal. Acordei no meio da madrugada num baita frio e sai para fora do alojamento na tentativa de registrar este tão famoso espetáculo.

Mas infelizmente a noite estava nublada e não foi possível ver nada.

Vale acrescentar que em Reykjavík algumas empresas de turismo oferecem pacotes noturnos para caçar a aurora boreal e parece que são sempre bem sucedidos.

No último dia da viagem visitamos mais outros locais desta região no caminho de volta para Reykjavík.

Como chegamos cedo na cidade, ainda conseguimos visitar os pontos principais, pois a cidade é pequenina e em poucas horas conseguimos ver tudo.

É uma cidade bem vibrante. Muito em função dos turistas que andam de um lado para outro.

A “Opera House “ vale muito a visita. De uma arquitetura singular, lembra uma colmeia, mas que remete à lava preta e colunas basálticas presentes ao redor do país.

E assim terminou este passeio.

Saímos no dia seguinte muito cedo para o aeroporto para a nossa próxima aventura.

GANA

Apesar de havermos desembarcado no aeroporto de Accra, Gana foi a última visita desta nossa viagem para alguns países da África Ocidental.

Vale dizer que estes países (Gana, Togo e Benin) são muito pobres, numa sociedade estruturada ainda de forma tribal.

Gana possui um parque industrial mínimo, com a capital Accra minimamente estruturada, mas os outros dois países são bastante subdesenvolvidos, com muito lixo plástico em todos os lugares, o comercio feito de forma informal na beira das ruas e estradas.

Têm falta de planejamento familiar, com uma população de crianças enorme, mas um alto índice de mortalidade infantil.

Estes países sofreram muito durante a ocupação colonialista por países da Europa em função do tráfico escravagista.

Neste período, toda esta região da África Ocidental foi dividida entre os europeus com uma linha reta. Ou mesmo, obedecendo acidentes geográficos, sem respeitar em nada os aspectos culturais e tribais. Logo, etnias diferentes acabam ocupando diferentes regiões dos três países.

Por isso, não se nota diferenças culturais marcantes entre estes países, a não ser alguns aspectos étnicos e linguisticos, próprios de cada tribo.

Estudei bastante sobre esta região da África para poder aproveitar a viagem, caso contrário, ficaria detida somente na pobreza, sujeira, corrupção e subdesenvolvimento sem enxergar todos aspectos histórico-culturais e a beleza do povo negro, que tanto influenciou a nossa cultura brasileira.

Dito isto, vou relatar a experiência…

A visita à capital Accra incluiu monumentos, museus locais, e o antigo bairro de Jamestown onde pudemos aprender um pouco sobre a história do país.

Outro passeio interessante foi a visita à uma fábrica de missangas de vidros, onde as peças são produzidas de forma bastante artesanal, a partir de vidros reciclados, e outros provenientes da China e que são exportados para o mundo todo.

Accra foi um dos poucos lugares onde cruzamos com pessoas brancas, porque de uma forma geral a população é absolutamente negra, sem nenhuma miscigenação.

Partimos em direção ao norte do país, mais precisamente Cape Coast.

É uma região litorânea bastante agradável e novamente, toda a história voltada à escravatura.

O castelo de Cape Coast, é o mais conhecido. Construído inicialmente pelos portugueses por volta de 1555, tendo posteriormente passado na mão de outros colonizadores que foram modificando sua arquitetura para se adaptar as necessidades individuais.

É um local de grande afluxo turístico, especialmente afro-americanos que vêm à esta região em busca de suas origens.

Mas não só afro-americanos visitam o castelo. Muitos grupos locais também vêm se informar a respeito da barbárie que foi o tráfico negreiro.

Outro castelo da região é o de Elmina que serviu para os mesmos fins.

O mercado de peixe de Elmina foi especialmente muito bonito, com o entra e sai de centenas de coloridos barcos pesqueiros, cada um carregando aleatoriamente bandeiras de vários países formando um conjunto bem interessante.

Enquanto visitávamos o local duas mulheres começaram a gritar na direção do meu marido. Num primeiro momento não entendemos o que estava acontecendo, mas nosso guia disse que elas estavam pedindo para que ele se casasse com elas. Elas saíram correndo na direção dele, abraçando-o e o mercado todo parou para assistir o “espetáculo”. Foi bem divertido acabamos todos dando muita risada!

Visitamos o Parque Nacional de Kakum, onde percorremos passarelas ao alto de 60 metros de altura para observar uma floresta tropical. Não impressionou muito, uma vez que este tipo de paisagem nos é bastante familiar.

Desde a costa, no direcionamos ao norte do país, chegarmos até a fronteira com a Burkina Faso.

Paramos ao longo do caminho em vários lugares que de alguma forma se relacionavam ao comercio dos escravos, como pontos de trocas, vendas etc.

A próxima parada foi a cidade de Kumasi que é o centro da importante etnia Ashanti.

O mercado Kejetia é um dos maiores da África Ocidental, com 45000 barracas, vendendo de tudo.

Visitamos o palácio do rei Ashanti e vários workshops entre eles o da manufatura do Kente (tecido confeccionado em tear manual como vem sendo feito a muitos séculos).

Nos arredores da cidade paramos na beira do rio Assan, que era a última parada dos escravos, onde tomavam seu último banho antes de serem encarcerados nos castelos do litoral, aguardando o embarque nos navios negreiros.

É um lugar de muito respeito.

Cruzamos com grupos de afro-americanos que visitavam o lugar e que estavam bastante emocionados.

Foi muito divertida a parada na cachoeira de Kintampo. Estava lotada de estudantes que brincavam nas aguas, e que ficaram muito curiosos com a nossa presença.

Daí para frente a paisagem se torna bastante rural, passando por lavouras familiares que cultivam amendoim, milho, sorgo, inhame, mandioca tomate etc., e pequenas vilas com seus mercados à beira da estrada.

O caminho é lento e cansativo, devido as más condições das estradas.

Chegamos finalmente à Larabanga, ao lado do Parque Nacional Mole onde visitamos uma mesquita datada de 1421. Diz a lenda que foi construída por um comerciante mulçumano que costumava trafegar pela região e que teve uma premonição que deveria construir uma mesquita naquele local.

Ela é feita toda em galhos de arvore e lama, ao estilo sudanês.

Outra construção interessante é o santuário de Zayaa. Construído há 70 anos por imigrantes muçulmanos de Burkina Faso. Tem uma inspiração egípcia e pertence até os dias de hoje à mesma família, que é quem nos acompanha na visita ao local.

Numa de nossas visitas acabamos chegando a um pequeno agrupamento de cabanas onde recém havia nascido um bebe.

Este pequeno agrupamento era composto de três cabanas, sendo que em cada uma morava uma das esposas do proprietário.

A poligamia nestes países tem uma explicação. Primeiro porque a mortalidade de meninos e jovens do sexo masculino é maior do que a do sexo feminino, levando a um excesso de mulheres na vida adulta.

Outro motivo é a necessidade de mão de obra para a lavoura, onde as crianças começam a ajudar desde muito pequenas.

Neste dia especial de nossa visita era o dia da cerimônia de nomeação do recém-nascido. Como fomos os primeiros a chegar ao local, nos foi dada a honra de nomear o bebe, que recebeu o nome de Marco.

Chegamos finalmente próximo à fronteira de Burkina Faso, onde não nos sentimos muito confortáveis, uma vez que no momento estavam acontecendo alguns conflitos com mulçumanos terroristas daquele país querendo adentrar nos países fronteiriços.

Visitamos rapidamente um santuário de crocodilos, um centro de produção de artesanato e nos acomodamos num belo resort na cidade próxima de Bolgatanga.

Mas foi nesta região que conhecemos o belíssimo artesanato de cestaria e outros itens que é logico, já foram para dentro da mala!

BENIN

Esta nossa viagem à África Ocidental requereu um grande preparo.

Vale dizer que estes países (Gana, Togo e Benin) são muito pobres, numa sociedade estruturada ainda de forma tribal.

Gana possui ainda um parque industrial mínimo, com a capital Accra minimamente estruturada, mas os outros dois países são bastante subdesenvolvidos, com muito lixo plástico em todos os lugares, o comercio feito de forma informal na beira das ruas e estradas.

Têm falta de planejamento familiar, com uma população de crianças enorme, mas um alto índice de mortalidade infantil.

Estes países sofreram muito durante a ocupação colonialista por países da Europa em função do tráfico escravagista.

Neste período, toda esta região da África Ocidental foi dividida entre os europeus com uma linha reta. Ou mesmo, obedecendo acidentes geográficos, sem respeitar em nada os aspectos culturais e tribais. Logo, etnias diferentes acabam ocupando diferentes regiões dos três países.

Por isso, não se nota diferenças culturais marcantes entre estes países, a não ser alguns aspectos étnicos, próprios de cada tribo.

Estudei bastante sobre esta região da África para poder aproveitar a viagem, caso contrário, ficaria detida somente na pobreza, sujeira, corrupção e subdesenvolvimento sem enxergar todos aspectos histórico-culturais e a beleza do povo negro, que tanto influenciou a nossa cultura brasileira.

Dito isto, vou relatar a experiência…

Da mesma forma que Togo, Benin foi uma colônia francesa, então a língua oficial é o francês e a moeda é a mesma usada em Togo, bem como nas outras ex colônias francesas.

Atravessamos por terra de Togo para Benin, numa fronteira mais organizada do que a fronteira de Gana para Togo.

Mas nem por isto, não sei se foi menos corrupta que a de Gana para Togo, pois nossa guia tomou a frente para resolver toda a burocracia e não pudemos acompanhar todos os tramites.

Fomos direto para Ouidah, que é uma pequena cidade, mas de grande importância no que se refere ao comercio escravagista, uma vez que no século XVIII e começo do século XIX foi um dos maiores portos exportadores de escravos para as américas.

É também um importante centro para a cultura Voodu, (que está intimamente associado ao nosso candomblé), e foi lá que visitamos o famoso templo das Pythons, onde por volta de 50 serpentes são mantidas e cuidadas pela comunidade. Elas são reverenciadas e usadas em rituais específicos da religião.

A visita seguinte foi a “rota dos escravos”, onde visitamos todo percurso percorrido pelos escravos, desde a sua chegada ao porto até o embarque nos navios negreiros.

Foi realmente impressionante e emocionante.

Nós, aqui no Brasil somos muito pouco instruídos sobre a questão da escravatura.

Os escravos eram captados por toda a região da África ocidental (na maioria das vezes por chefes de tribos rivais) e vendidos aos comerciantes europeus, que posteriormente os enviavam para as Américas.

Ao chegarem nos portos de envio, eram leiloados, marcados com ferro em brasa (com as iniciais do comprador) e colocados em aposentos minúsculos, mal arejados e abarrotados, aguardando o embarque para os navios.

Uma boa parte dos escravos já morriam neste processo, e tantos outros mais na travessia do atlântico.

Normalmente as empresas de turismo, especialmente de países pobres, têm o cuidado de levar os turistas em restaurantes melhores, conhecidos, para não correrem o risco de uma intoxicação alimentar.

Exatamente por isto, o turista acaba, na maioria das vezes, não tendo a oportunidade de provar a culinária local.

E em Benin não foi diferente.

Por isso, pedimos a nossa guia que nos levasse para jantar no mesmo local que ela e o motorista iam normalmente.

Não preciso dizer que ambos ficaram muito felizes e lisonjeados com o pedido, e ao anoitecer passaram no nosso hotel e no levaram à um “restaurante” logo ali na esquina.

Já tomamos este tipo de atitude em outras viagens e sempre vale a pena. É uma oportunidade de nos aproximarmos culturalmente da vida local e afetivamente dos nossos guias.

Foi uma experiência única.

A comida foi simples, mas bem saborosa e bem fresca, pois foi confeccionada ali na nossa frente.

Conversamos muito e pudemos aprender outras coisas sobre a cultura que no contato formal das visitas não se faz possível.

Visitamos a vila flutuante de Ganvie, construída no sec. XVII na beira do lago Nokue, por uma tribo bastante habilidosa no manejo da pesca para escapar da captação de escravos.

Tem um modelo de urbanismo sócio ecológico, onde as casas são construídas em palafitas ao redor de ilhas artificiais.

A pesca também é bastante peculiar. Enormes quantidades de galhos são fixadas em pontos do lago, e, é ali que os peixes se refugiam do intenso calor do sol, sendo mais propicio para a captura dos peixes.

O lago tem um intenso trafico de barquinhos que transportam o pescado ao mercado da cidade de Cotonou, onde são trocados por outros víveres de necessidade.

A agua potável é fornecida por canos, que é coletada em contêineres pelos habitantes.

Acomodados em barquinhos os moradores remam por toda a vila, indo ao mercado, escola etc., uma vez que esta é a única forma de locomoção.

Escolas e hospitais estão alocados em pequenas ilhas artificiais.

Vale dizer que os dejetos das casas caem na agua do lago.

Mas para isto, são cultivados aguapés que estão presentes em baixo de todas as casas e que têm a função de filtrar a sujeira.

Logo, a agua é limpa e sem plásticos ou outros poluentes.

O mercado de Cotonou, mais uma vez nos impressionou, com o intenso movimento e variedade de produtos.

Mas foi lá que fomos novamente vítimas de corrupção pelo policiamento.

Parece que é impossível escapar disto…

O policial nos abordou de forma bastante agressiva o que nos gerou bastante stress bem como ao nosso motorista que não falava francês. Pediu os documentos do motorista dizendo que não podíamos estar parados ali (na verdade não estávamos parados, e sim procurando onde estacionar). Levou os documentos do motorista com ele e pediu que o seguíssemos à um local próximo para os acertos.

Mas, nossa guia, já acostumada, novamente resolveu rapidinho e pudemos seguir e aproveitar bastante o passeio pelo mercado.

Vale dizer, que a empresa de turismo já provê um valor extra para os guias para resolver estes momentos de corrupção.

O famoso reino de Daomé ocupou esta região nos sec. XVII até o sec. XIX e a figura mais simbólica deste reino foi a figura de uma amazona, Tassi Hangbe, que governou por volta de 1708.

Conhecida como a “mulher rei”, deu bastante incentivo às mulheres da época estimulando um aprimoramento profissional e formou um exército feminino para as lutas intertribais.

Recentemente foi inaugurado uma estátua uma homenagem à amazona de 30 metros de altura na praça principal de Cotonou.

De uma forma geral a visita à Benin foi muito rica, mas achamos o povo de Benin menos receptivo que os seus vizinhos, com pouco sorriso, arisco e algo impaciente com a nossa presença.

E assim terminamos nossa visita à Benin, atravessando Togo novamente para então continuar o passeio por Gana.

TOGO

Esta nossa viagem à África Ocidental requereu um grande preparo.

Vale dizer que estes países (Gana, Togo e Benin) são muito pobres, numa sociedade estruturada ainda de forma tribal.

Gana ainda possui um parque industrial mínimo, com a capital Accra minimamente estruturada. Mas os outros dois países são bastante subdesenvolvidos, com muito lixo plástico em todos os lugares. O comercio feito de forma informal na beira das ruas e estradas.

Têm falta de planejamento familiar, com uma população de crianças enorme, mas um alto índice de mortalidade infantil.

Estes países sofreram muito durante a ocupação colonialista por países da Europa em função do tráfico escravagista.

Neste período, toda esta região da África Ocidental foi dividida entre os europeus com uma linha reta. Ou mesmo, obedecendo acidentes geográficos, sem respeitar em nada os aspectos culturais e tribais. Logo, etnias diferentes acabam ocupando diferentes regiões dos três países.

Por isso, não se nota diferenças culturais marcantes entre estes países, a não ser alguns aspectos étnicos, próprios de cada tribo.

Estudei bastante sobre esta região da África para poder aproveitar a viagem, caso contrário, ficaria detida somente na pobreza, sujeira, corrupção e subdesenvolvimento sem enxergar todos aspectos histórico-culturais e a beleza do povo negro, que tanto influenciou a nossa cultura brasileira.

Dito isto, vou relatar a experiência…

Chegamos no aeroporto de Gana, mas no dia seguinte fomos diretos para a fronteira terrestre entre Gana e Togo.

Uma fronteira bem rudimentar, numa estrada de terra, com policiais numa atitude irreverente jogados em cima de cadeiras de fronte a uma mesinha escolar.

A travessia demorou muito tempo, em função de burocracias e lógico, a nossa primeira experiência da corrupção que assola os países.

Sempre muito desagradável e motivo de momentos de stress entre nós.

Logo de cara, o policial nos colocou de lado, para que pudesse acertar o valor da propina com a nossa guia. Ela, que já está acostumada com o procedimento, logo resolveu, e continuamos nossa viagem para a capital, Lomé.

A população já está acostumada, mas dói o coração ver aquelas senhoras passando pela fronteira, carregando um enorme fardo na cabeça e tendo que deixar suadas moedas nas mãos daqueles vagabundos:(

Nossa primeira parada foi no maior mercado de fetiche (vodoo) da África.

Neste mercado estão expostos cabeças e partes de todo tipo de animal, além de outros itens necessários para a pratica do Vodoo.

Além das bancas para compras dos produtos existem vários pequenos barracões, onde médicos do Vodoo fazem consultas e orientam o tratamento para as queixas individuais.

Disse o nosso guia, que o Vodoo, não é uma pratica para o mal, e sim para a cura de males físicos e espirituais…. Disse também que estes animais não foram cassados para retirar as partes, mas sim coletados a partir de animais mortos naturalmente…. Não acreditei em nada disto!…

Foi uma visita interessante, mas a energia do local é ruim, e saímos mal impressionados.

Passamos muito tempo no mercado de Lomé. É bastante movimentado, e onde se vende todo tipo de produto, uma vez que quase não se vê lojas (como estamos acostumados) por estes países. Tudo acontece no mercado!

Um aspecto curioso, é que os lindos tecidos africanos, são vendidos por mulheres que estão vestidas com o mesmo padrão do tecido do enorme fardo que carregam na cabeça.

Achei o marketing perfeito!

Ao longo das ruas e estradas vimos, mobílias, eletrodomésticos, roupas, malas, calçados etc, expostos para o comercio.

Outro ponto interessante, é que não existe confecções de roupa de forma industrial, daí presença de pequenas oficinas de costura, com 4 ou 5 costureiras uniformizadas confeccionando os trajes típicos que todos vestem (especialmente as mulheres).

Este é um oficio bastante valorizado, com propaganda de cursos profissionalizantes ao longo das estradas.

Próxima parada foi Togoville.

O acesso à vila é feito num barquinho que atravessa o lindo lago de Togo, que deu nome à vila e ao país.

A vila foi inaugurada por um oficial alemão depois de um acordo com o chefe local, onde foi construído uma catedral ao estilo germânico.

Mas o forte mesmo nesta vila é a pratica do Vodoo.

Visitamos também uma vila da etnia Ewe, que vive da cultura do abacaxi e óleo de palma. Foi uma visita muito interessante, uma vez que era de lá que vinha a nossa guia.

Ela nos mostrou a casa de seu avô e um ritual muito interessante.

Ter filhos gêmeos é muito valorizado nesta cultura.

Então, no caso de falecimento de um dos gêmeos, é confeccionado um bonequinho de madeira, que é cuidado pela mãe, ou na falta dela, por outro membro da comunidade, como se fosse um bebê.

Todos os dias ele é banhado, trocado e convive no seio da família como se fosse um bebê de verdade.

Foi nesta vila que experimentamos o prato típico do oeste africano, que é o fu-fu. Um tipo de polenta, que pode ser de milho, inhame ou mandioca, junto com um molho de peixe ou frango e vegetais, que se come com a mão.

Em seguida atravessamos para Benin, onde achamos que não poderia ser mais pobre…mas é…

ALBÂNIA

Albânia está na moda!

Pelo menos é o que parece pelos números de turistas que transitam em Tirana, a capital.

Porque tem praias lindas, algumas ainda intocadas, a um preço mais acessível, pelo menos por enquanto, e está havendo um fluxo enorme de turistas europeus e russos.

Nos últimos anos a economia deu uma aquecida e inúmeros resorts estão sendo construídos ao longo do litoral, especialmente mais ao sul já próximo da Grécia.

Como a porta de entrada é Tirana, todos aproveitam para fazer uma visita rápida na cidade.

Em nossa passagem pela cidade fizemos, como sempre, o “free walking tour “ que fornece informações históricas e uma visão geral dos pontos turísticos da cidade.

A não ser por um breve período de tempo, a região sempre foi dominada por estrangeiros, inclusive por turcos-otomanos no século XV, a Itália e a Alemanha nazista na segunda guerra mundial,

Com o fim da guerra, a frente comunista tomou conta do país tornando-se praticamente um satélite da então Iugoslávia.

Este governo comunista, era bastante restrito, em momentos diferentes da história, acabou entrando em conflito com a Rússia, Estados Unidos e China.

Com a queda do bloco soviético em 1990, aconteceram reformas também na Albânia levando a uma nova constituição e caminhando para o regime atual.

O primeiro ministro atual é pintor, então há um grande estímulo para construções de novos edifícios e monumentos de uma arquitetura arrojada e projetados por arquitetos albaneses; mas de gosto duvidoso, e que não harmoniza com construções mais antigas tanto do período otomano como do período comunista.

Começamos o passeio pela praça principal de Skanderberg que é rodeada de edifícios históricos inclusive uma linda mesquita com inúmeros afrescos, biblioteca e museu. É lá onde tudo acontece, desde manifestações políticas até telão para ver o final da Eurocopa.

Ao lado pode–se visitar o Bunk Art 2 que é um abrigo antibomba nuclear reminiscente da era comunista e que hoje foi transformado num museu e espaço interativo.

O ditador comunista Enver Hosha chegou a construir 175000 bunkers deste tipo pelo país inclusive um deles ligando a sua residência e palácio do governo através de tuneis subterrâneos.

Aliás, esta belíssima antiga residência do ditador bem no centro da cidade está passando por uma grande reforma para futuramente se transformar num museu.

Outro ponto interessante de se visitar foi o antigo QG do serviço secreto, que era totalmente camuflado para que ninguém visse o que se passava lá dentro.

Passamos por vários outros pontos de interesse neste pequeno quadrilátero central que estão se adaptando aos novos tempos do capitalismo consumista.

Uma boa parte da população fala italiano, e não inglês, o que facilita bastante, para nós brasileiros, numa mínima comunicação no país.

Almoçamos neste restaurante de frutos do mar, que foi uma grata surpresa.

Não existe cardápio.

Chegamos na entrada, que se apresenta como uma peixaria, e escolhemos o que queríamos comer.

O proprietário então sugeriu a forma de cozimento, que pela dificuldade de comunicação não ficou muito claro, mas, seja o que Deus quiser….

Acabou sendo uma refeição muito gostoso acompanhada do vinho da casa a um preço irrisório quando comparado aos preços de São Paulo.

E assim passamos por esta rápida passagem por Tirana.

A Albânia vai continuar no meu radar de países a serem visitados, uma vez que, não cheguei ao tão procurado litoral e outras cidadezinhas históricas ao redor.

KOSOVO

Uma pincelada sobre Kosovo…

Numa rápida passagem por este pequeno país visitamos a cidade de Prizren.

Isto porque nos foi dito que a capital Pristina não valia a pena, pois não tem grandes atrativos.

Viajamos de Escopia na Macedônia do Norte em direção à Prizren por uma estrada bem capenga até a fronteira com Kosovo.

Após a fronteira as coisas já mudam de figura. Uma autoestrada novíssima e em excelentes condições mostrando a diferença entre os dois países. Logo surgem industrias, galpões, e um grande movimento denotando um país com uma economia mais ativa.

Passamos pela periferia de Pristina para podermos alcançarmos a outra estrada que nos levaria a Prizren e vimos uma enorme quantidade de novos edifícios em construção.

Tudo isto, por uma enorme injeção de recursos feita pelos Estados Unidos que tem uma base americana no país com 50000 efetivos.

70% da população Kosovar é de albaneses e o restante de sérvios.

Em 1996 os albaneses de Kosovo iniciaram um movimento separatista da Servia a chamada “guerra de Kosovo”, alcançando a independência, mas, com interferência da OTAN.

Ainda hoje a OTAN está presente na fronteira com a Servia, mas com um contingente menor o que tem facilitado o acontecimento de pequenos conflitos fronteiriços.

Como fruto desta separação, o país não é reconhecido pela Servia e Rússia, entre outros, mas tem total apoio da União Europeia e Estados Unidos.

Prizren é uma pérola.

É a segunda maior cidade de Kosovo com 180000 habitantes.

O interesse turístico está na parte antiga da cidade que tem uma herança turco otomana como várias outras dos Balcãs.

Este nicho é bem gracioso com vários restaurantes, e pontezinhas que cruzam o pequeno rio Bistrica, sendo uma delas de pedra do período otomano no século XV.

Várias edificações valem a visitação, como o Hamman (banho turco) Pasha, mesquitas e igrejas ortodoxas.

Por um caminho bem íngreme, mas bem gracioso subimos a fortaleza de Kalaja, passando pelas ruinas da Igreja St Savior´s que foi parcialmente destruída nos conflitos de 2004.

A fortaleza que foi construída no século XI foi quase totalmente destruída na primeira guerra mundial permanecendo somente restos do que deve ter sido. O que vale é a vista lá de cima com toda a cidade nova e velha, emoldurada ao fundo pelas as montanhas Sharr.

A cidade estava lotada de turistas que não pareciam serem europeus, mas sim de um turismo mais regional.

Almoçamos num restaurante local e nos despedimos de Prizren em direção à Tirana capital da Albânia.

MACEDÔNIA DO NORTE

Estava imaginando chegar na Macedônia do Norte, mais especificamente Escópia e encontrar mais ou menos o que havia visto nos outros países dos Balcãs.

Na verdade, na dissolução da Iugoslávia, em 1991, o país que ficou mais empobrecido foi a Macedônia do Norte.

Não sei exatamente o porquê disto, mas talvez, originalmente já fosse uma região pobre da Iugoslávia.

Naquele momento da independência o país se autonomeou República da Macedônia, e estabeleceu uma bandeira própria.

 A Grécia não aceitou nenhum dos dois dizendo que “Macedônia” se refere a uma região do norte da Grécia e que a bandeira escolhida usa um símbolo de Alexandre, o grande, sendo este considerado greco-macedônio.

A situação se resolveu em 2018 quando o país entrou num acordo com a Grécia e trocou o nome do país para Macedônia do Norte tendo que alterar a bandeira também.

O monumento da principal praça em Escópia que representa Alexandre, o grande, também teve que mudar de nome para “guerreiro no cavalo” para satisfazer a Grécia.

Ainda hoje os países têm relações estremecidas.

A população do país tem diminuído, pois há uma enorme evasão para países da Europa e Austrália.

A cidade é relativamente esvaziada. E, até num fim de tarde de verão que normalmente nestas regiões as praças e parques ficam lotados, em Escópia o movimento é bem menor.

O comercio é fraco e poucas indústrias.

A cidade é a mais kitsch que já visitei…

Nos últimos anos foram construídos muito edifícios amontoados que remetem as grandes cidades europeias, mas de um gosto bastante duvidoso.

Mais de 150 estatuas de bronze adornam a cidade formando um conjunto totalmente desconexo…

Segundo o guia do nosso “free walking tour” tudo isto está a serviço da corrupção, que impera no país.

A cidade é cortada pelo rio Vardar.

De um lado prédios mais recentes, e do outro lado reminiscências da invasão turco-otomana com mesquitas e um lindo bazar.

No alto de uma colina restos de uma fortaleza podem ser visitados.

Está em péssima conservação, mas a viagem valeu pelo visual lá de cima, ainda mais quando coincide com as varias chamadas dos minaretes para as orações nas mesquitas próximas, formando uma polifonia que sempre me emociona muito.

O povo parece sem esperança, algo amargurado e tentando sobreviver da melhor forma possível.

Visitamos também o Cânion Matka, há uns 20 kms do centro da cidade.

Foi formado em função da construção de uma represa e o passeio é bastante agradável.

Como não tínhamos o aplicativo para comprar a passagem de ônibus, o motorista graciosamente nos levou.

Na volta, o ônibus estava bastante atrasado e enquanto esperávamos na beira da estrada com tantos outros mochileiros fomos acharcados por motoristas de taxi oferecendo seus serviços de retorno à cidade. Pediam preços altíssimos e para nos convencer diziam que o ônibus não viria mais e que não teríamos como voltar para a cidade.

Após quase uma hora sofrendo pressão ficamos bastante incomodados e resolvemos sair caminhando até uma vila mais próxima e tentar arranjar algum outro modo de locomoção.

Após alguns poucos quilômetros encontramos um casal de turistas turcos que também tinham saído a pé pelo muito incomodo com a pressão dos taxistas.

Sugeriram que dividíssemos um taxi, que prontamente topamos e assim voltamos para o centro da cidade.

Para o dia seguinte, contratamos um translado que nos levou para Prizren em Kosovo e finalmente Tirana na Albânia.

NAMÍBIA

Foram 2200 kms rodados, sendo que somente 200 kms de estrada de asfalto.

Fizemos esta viagem para a Namíbia numa modalidade “self-drive”, onde uma agencia turística local organiza toda a logística, porém viajamos por conta própria.

O país tem uma densidade demográfica baixíssima, e por centenas de quilômetros a viagem é feita sem cruzar sequer uma pessoa ou casa, que possa nos apoiar em caso de necessidade.

Queríamos então, ter um “back up” caso ocorresse algum imprevisto.

A empresa de aluguel do 4×4 tem um “tracker” no carro. Então, se o carro ficar parado por mais de 4 horas no meio do nada, eles saem em socorro…

Como o sinal de internet ou telefone desaparece em muitos lugares, a agencia de turismo fornece um mapa super detalhado das estradas do país para podermos nos orientar.

São inúmeras saidinhas que estão relativamente bem sinalizadas, mas há que ficar bem atento ao mapa.

Fomos orientados também a sempre carregar agua e comida dentro do carro, caso haja alguma pane.

A maior parte dos problemas são relacionados aos pneus, porque as estradas são em alguns lugares sofríveis, e em outros há que se baixar um pouco o ar dos pneus para trafegar com segurança em caminhos mais arenosos.

O pais tem uma área de deserto enorme. As estradas são largas, planas, mas de pedrisco na maior parte, o que faz com que o carro dance muito, então, é prudente que não se passe de 80 kms/hora.

Eu procurava não ficar de olho no celular, para acompanhar onde haveria sinal de internet ou não; para não ficar nervosa, pois a sensação de isolamento é muito grande e o medo de ficar parada num fim de mundo qualquer é real.

Em muito a Namíbia lembra a África do Sul, em termos populacionais e culturais, uma vez que partes do país já pertenceram à África do Sul em algum momento da história.

A população é majoritariamente negra, e os brancos vieram dos “países baixos”.

A língua oficial é o inglês, os brancos falam africâner e os negros majoritariamente zulu.

O país é limpo e seguro.

Windhoek, a capital lembra uma cidadezinha do interior, de tão pequena, e não vimos nenhum edifício com mais de 10 andares.

A comida da maioria branca lembra a europeia com a presença de muitos embutidos, inclusive de caça, como antílopes etc. Os negros tem uma alimentação também voltada à carne e uma espécie de mingau endurecido que eles chamam de “pop”.

Verduras…nem pensar. E frutas, muito escassas também.

Como meu interesse nesta viagem não era ver a vida selvagem, e sim as paisagens desérticas, nós optamos por não visitar o Parque Nacional Etosha, no norte do país. Privilegiamos a visita da costa e dos desertos de Kalahari, Damarland e a Costa do Esqueleto.

Fomos inicialmente em direção ao sul do país para a principal atração turística, Sossusvlei, no deserto de Kalahari.

Esta é uma região lindíssima com a maiores dunas de areia do mundo, chegando a ter até 400ms de altura.

Como chegamos no parque por volta das 10:00 da manhã, o calor de 40 graus já estava insuportável, o que inviabilizou a subida na famosa duna 45, nos dirigimos então ao belíssimo Deadvlei, que é uma bacia arenosa no meio das dunas onde permanecem intactas algumas acácias de 900 anos e praticamente petrificadas dando ao local um contraste maravilhoso de dunas vermelhas, areia branca e as acácias negras.

Terminada a visita, nos dirigimos à costa chegando em Swakopmund, que é a segunda maior cidade do país.

Ela foi colonizada por alemães e pertenceu a este pais por algum tempo, então na cidade só se fala alemão e a arquitetura lembra bastante a alemã.

Em função da corrente marítima muito fria que passa pela região, o mar é riquíssimo, sendo que a pesca é a segunda maior fonte de renda do país.

Comemos frutos do mar e peixes deliciosos.

Mas, este mesmo clima tão particular faz com que a costa seja relativamente fria e pela manhã sempre com uma neblina forte, mas que se dissipa durante o dia.

Então, é muito interessante a saída do deserto de 40 graus e a poucos quilômetros da costa a temperatura abaixa para 17 graus.

Fizemos um passeio guiado para Sandwich Harbour, onde as altíssimas dunas do deserto encontram o mar formando uma paisagem ímpar.

A caminho de Sandwich Harbour passamos por uma imensa fábrica de sal. Grandes áreas são preenchidas com agua do mar, e a medida que ela vai evaporando cresce um tipo de alga que colore as lagoas de um rosa belíssimo.

Outro passeio muito interessante foi um tour marítimo para visitar as colônias de focas ao longo da costa em Walvis Bay. Com tanta oferta de comida e ausência de predadores existem milhares de focas, flamingos, albatrozes e pelicanos.

Num primeiro momento, a agencia de turismo nos desencorajou a percorrer a Costa do Esqueleto em direção ao norte do pais, referindo não terem informações acuradas das condições da estrada e que devido ao isolamento seria algo arriscado.

Fiquei bastante decepcionada pois este era o local que mais queria conhecer…

Felizmente, em contato com o guia que nos acompanhou na visita à Sandwich Harbour ele nos assegurou que seria possível a viagem e que seria linda e bem aventurosa. E muito mais interessante do que irmos para o norte pelo interior do país, como sugerido pela agencia.

A costa do esqueleto, foi o lugar mais isolado que já visitei na vida. O terreno é de terra, areia e sal batido e neste sentido mais fácil de dirigir que o resto pedregoso do país.

Na entrada do parque eles anotam a placa do carro, e dados pessoais que depois é checado na saída do parque centenas de quilômetros a frente.

A paisagem é esplendorosa, numa variação de terrenos com dunas, savanas e pedras, em paralelo a um mar selvagem com alguns barcos encalhados na areia para dar um ar mais fantasmagórico ainda.

No mapa que carregávamos mostrava alguns pontos de apoio pelo caminho, mas, à medida que chegávamos neles na verdade eram núcleos fantasmas sem uma única pessoa para nos atender.

Foi maravilhoso, mas confesso ter sentido um certo alivio ao sair do parque depois de quase 500 quilômetros onde cruzamos com no máximo 3 carros.

Ao fim desta extensa jornada chegamos a um dos hotéis mais lindos que já estivemos. Numa localização privilegiada no deserto, o hotel esta incrustado numa montanha de pedras que se mescla com a paisagem ao redor.

No portal de entrada passa-se por petroglifos de 5000 anos de idade, que esta bem protegido do acesso aos hospedes para não danifica-los.

Este é o deserto de Damarland e região da etnia Damard.

Visitamos um “living museum” onde os locais demonstram como seus antepassados viviam e celebravam as festividades.

Estar nesta região, visitando um parque de petroglifos, e em contato com esta etnia, nesta paisagem árida e única, me deu uma proximidade com esta nossa ancestralidade humana que nunca tinha sentido anteriormente. Foi realmente mágico.

Nossa última parada foi num hotel dentro de uma reserva privada de 40.000m2. Fizemos um safari supreendentemente bonito onde nos aproximamos a poucos metros de uma ninhada de leões e mais outros tantos animais.

O susto/aventura ficou para o último trecho da viagem, que por um descuido nosso, uma vez que estávamos sem sinal de internet, acabei perdendo uma saída para uma das inúmeras micro estradas isoladas da região. E, após vários quilômetros sem chegar a lugar algum, nos demos conta que estávamos perdidos…

Felizmente demos de encontro com a entrada de uma outra reserva particular, onde o funcionário, após deixar a metralhadora de lado, veio até nós e solicitamente explicou como voltarmos ao trajeto inicial.

Este desvio acabou sendo muito especial pois cruzamos a reserva sozinhos, passando por vários animais selvagens e num terreno bastante arenoso.

Mas, foi bom chegar no asfalto!

A Namíbia se apresentou muito acima de nossas expectativas.

E, mais uma vez, a certeza de que não devemos desistir de uma viagem por falta de informações previas que nos de total segurança. Uma pesquisa criteriosa e a confiança no ser humano faz tudo possível.