PAQUISTÃO

Uma viagem aos céus!

A motivação desta viagem foi um documentário que vi na tv sobre a “Karakoram Highway”. Uma estrada recentemente pavimentada pelos chineses que ligaria Khunjerab Pass, ou seja, a fronteira do Paquistão com a China ao porto de Karachi no sul do Paquistão, como parte do megaprojeto chinês “silk belt”.

A estrada é dita como uma das mais perigosas do mundo, pois ela passa margeando as grandes cordilheiras do Himalaia, Karakoram e Hindus Kush.

Resolvemos então concentrar esta nossa viagem principalmente na região norte do país.

Primeiramente, porque é a região mais bonita mesmo; e é também o principal destino turístico dos paquistaneses.

Outro motivo, seria a insegurança em viajar para outras regiões do país, pois algumas localidades são redutos do Taliban paquistanês. Ou mesmo, regiões onde eventualmente explodem bombas e onde o ocidental não é muito bem recebido.

Após muita pesquisa na internet e até contatos com a embaixada do Paquistão no Brasil resolvemos que podíamos arriscar…

A viagem foi organizada diretamente junto a uma empresa paquistanesa dirigida por dois jovens, a Exploria turismo.

Iniciamos nossa viagem em Lahore.

Está é a cidade mais próxima da fronteira da Índia, e onde na época da “partição” em 1947 teve papel importante na recepção dos mulçumanos provenientes da Índia.

A cidade me lembrou muitas outras cidades da Índia, caótica, meio suja, e ainda bastante subdesenvolvida.

De uma forma geral, o país ainda não está preparado para receber o turista ocidental (que são raríssimos), com suas expectativas e demandas…

A hotelaria é restrita, e os funcionários não conseguem entender o porquê do hospede reclamar que o quarto está localizado ao lado do gerador e não consegue dormir a noite inteira….

Isto porque, com as quedas frequentes de energia existe a necessidade direta de geradores. E isto acontece em todo o comercio do país. Em frente a cada ponto comercial tem um gerador ligado.

Funcionários ajeitando o café da manhã e pegando nos pães com as mãos para oferecer ao hóspede; ou incompreensão nas demandas mais básicas, que para eles não fazem o menor sentido, é o que ocorre no dia a dia.

Mas o contato humano é meigo, leve e servil.

A comida no sul do país se assemelha aos pratos indianos, bem apimentados, mas como o país é majoritariamente mulçumano não se come carne de porco.

A maioria dos restaurantes tem sua cozinha na calçada, na entrada dos restaurantes, e não sei se isto é bom ou ruim pois os costumes culinários são bem diferentes dos nossos; como por exemplo o cozinheiro ajeita a faca entre os dedos dos pés para fazer os cortes das carnes…acho que preferia não ter visto…

No norte do país a comida é menos apimentada, com sabores mais delicados e uso intensivo do óleo de abricó.

Apesar da grande dificuldade econômica do país não existe o conceito da barganha ou do assedio para realizar vendas no comercio. Tudo é muito tranquilo e com preços justos marcados nas etiquetas.

Em momento nenhum, ao longo dos 18 dias que passamos lá nos sentimos inseguros ou sob ameaça.

O Paquistão já foi parte da Índia antes da “partição”.

Em Lahore, palácios, fortes e jardins se assemelham aos indianos, porém com uma conservação que deixa a desejar.

Visitamos em Shahi Qilla todos estes monumentos, num calor de 40 graus. Ao lado, o esplendoroso parque Shalimar construído pelo imperador mulçumano Sha Jahan (o mesmo do Taj Mahal).

Nesta mesma região tem uma “street food” que ao anoitecer ganha vida com vários deliciosos restaurantes.

Lógico que não poderíamos deixar de ir ao caótico Ichhra bazar e arriscar alguma comida de rua, que por incrível que pareça não nos deixou doente :).

Fomos à Whaga Border única fronteira aberta entre a Índia e o Paquistão, pois os dois países não mantem relações diplomáticas.

Todas as tardes acontecem uma cerimônia de “baixar as bandeiras” e o “fechamento da fronteira” para o período noturno.

É um grande evento…

Em ambos os lados foram construídas grandes arquibancadas onde a população comparece em peso, para assistir ao espetáculo e enaltecer o seu país.

Enormes alto falantes ficam berrando palavras de ordem e músicas para o povo dançar e se divertir. O mais interessante é que as músicas são altíssimas de ambos os lados, para que um lado não ouça a música que toca do outro lado.

A cerimonia em si é como um ritual de troca de guardas com elementos de ambos países fazendo sinais de enfretamento, mostrando poder e uma disputa de quem levanta a perna o mais alto durante a marcha.

E a torcida vibra e berra o tempo todo…

Ao final, antes do fechamento dos portões, os guardas de ambos os lados dão as mãos, numa sinalização de amizade e esperança num futuro de entendimento.

No caminho para Islamabad visitamos a mina de sal Khewra.

É de lá que é extraído todo o chamado “sal rosa do Himalaia”. A mina tem 110kms quadrados de área, e uma pequena parte é aberta à visitação.

Islamabad, a capital, é uma cidade planejada., então é bem ampla, largas avenidas, e muita área verde.

Visitamos alguns monumentos e ao entardecer fomos à mesquita Faisal. Chegamos próximo ao horário da reza e, como permitiram a nossa entrada, ficamos assistindo por uns momentos a belíssima cerimonia.

Nos dirigimos então à região norte do país, mais especificamente Gilgit/Baltistan.

Esta é uma região, que faz parte da grande Cachemira, e que está em disputa entre o Paquistão, Índia e China desde a “partição”.

Tem uma administração independente do resto do Paquistão e é considerado pelo governo central como “território administrativo paquistanês”. Não fazem parte efetivamente do Paquistão e não podem votar nas eleições centrais.

Intencionalmente viajamos dois dias, de carro, para o norte do país. Queríamos observar a paisagem e promover a lenta aclimatação para as altas altitudes, pois estava em nosso programa realizar alguns hikings na região.

Chegamos em Karimabad, uma vila no vale de rio Hunza, no território de Gilgit Baltistan.

Está vila está a 2500mts de altitude, mas até chegarmos lá atravessamos passos mais altos e vales maravilhosos por entre as cordilheiras de Karakoram, Himalaia e Indus Kush.

Ficamos por uma semana nesta região.

Iniciamos nossa exploração com um hiking bem puxado que se inicia na vila, ao lado do forte Baltit e sobe de forma bastante íngreme até podermos visualizar o glaciar Ultar e também ser presenteado com uma belíssima vista do vale do Hunza e suas inúmeras vilas.

No Passu Valley atravessamos a ponte de cordas Hussain sobre o rio Hunza. Esta ponte, liga algumas vilas das minorias Whaki emigrados a algumas gerações da região montanhosa do Tadjiquistão.

Na cidade de Karimabad visitamos as suas maiores joias que são os fortes Altit e Baltit. Eles têm por volta de 1000 anos de idade e estão localizados em pontos estratégicos de Hunza proporcionando belíssimas vistas.

O passeio para o Hopper Valley incluiu um hike bem exaustivo para a base do glaciar e que como prêmio tomamos um delicioso chá silvestre, cercado de pés de maconha e papoula para todos os lados…

Outro hike que fizemos foi para o Hussaini glaciar próximo ao lago Borith.

Absolutamente silenciosos são estes glaciares. Silencio este que eventualmente é quebrado com o som das placas geladas se movimentando.

Visitamos a antiquíssima cidade de Ganish, que foi um dos primeiros assentamentos da rota da seda e que está muito bem preservada.

O povo desta região se diferencia muito do resto do Paquistão. São tranquilos, bastante conservadores, voltados à família.

Fisicamente lembram as figuras que vemos na tv e associamos ao Taliban…. As mulheres ficam a maior parte do tempo dentro de casa, não são incentivadas a estudar, e chegamos a passar por vilas onde não se via uma única mulher na rua.

Nas montanhas, quando nos aproximávamos elas logo se recolhiam dentro de casa e nos fitavam por entre as paredes.

Mesmo nas grandes cidades, não é aconselhável que a mulher saia de casa após as 17:00 hrs. Então, quando a mulher trabalha, em geral seu horário de trabalho é das 8:00 as 14:00 hrs.

Na região do “upper Hunza Valley” visitamos o lindíssimo lago Attabad que se formou a partir de um terremoto, fechando a saída do rio. De uma cor azul turquesa tem vários hotéis ao redor e é destino de casais em lua de mel e famílias em férias.

Mas o ponto alto da viagem, foi sem dúvida a ida à chamada “Fairy Meadows”. Esta região super isolada que está na base da nona montanha mais alta do mundo (acima de 8000mts), Nanga Parbat, ou, montanha assassina, pois a incidência de mortes entre os alpinistas que tentam escala-la é altíssima.

Para se chegar a este local viajamos a partir de Karimabad 1:30 hrs de carro pela Karakoram Highway.

Chegamos então numa encruzilhada onde mudamos para um jipe 4×4, muito desconfortável, que sobe 16 kms por uma estreitíssima estrada de terra a beira de enormes precipícios, dividindo a estrada com animais e outros jipes que descem na direção contraria.

Ao fim deste percurso descemos do jipe e seguimos uma trilha de 6 kms subindo uma altitude de 500 mts para chegar à Fairy Meadows, que é uma localidade com algumas pousadas e poucos habitantes.

Existe a opção da subida destes 6 kms a cavalo, que, após alguns quilômetros, foi o que tive que optar, pois apesar de ter me preparado muito para esta subida, chegamos muito tarde e com o anoitecer corríamos o risco de terminar a trilha no escuro.

Uma vez instalados na pousada, descansamos e no dia seguinte foi a vez de tentarmos chegar ao acampamento base do Nanga Parbat.

Acabamos dividindo o grupo, pois eu não tinha condições físicas de percorrer mais 10 kms numa outra diferença de altitude de 700 mts chegando à 3850 mts de altitude onde está o acampamento base.

Cheguei aos 6kms de caminhada numa localidade de 15 ou 20 casas chamada Beyal, e a partir daí com mais 1 hora de caminhada cheguei ao View Point, com uma belíssima visão da montanha e um enorme glaciar.

Fiquei muito feliz de ter conseguido fazer esta caminhada, compensando a frustração que tive no dia anterior por ter terminado minha subida à Fairy Meadows no lombo do cavalo:)

Esta foi uma viagem de enorme demanda física, para um país muito especial, ainda desconhecido do mundo ocidental.

Chegamos a adiar por 2 vezes a nossa ida para lá por conta de explosões em mesquitas e bazares e a veiculação cruel feita pela mídia mundial.

Encontramos um país pobre, economicamente muito prejudicado, com um povo muito afável, sedento e curioso pelo contato com o ocidental.

Este maciço de altíssimas montanhas da região norte é impactante e faz com que nos sintamos muito pequenininhos dentro daquela paisagem.

O povo que habita esta região tão isolada do resto do país enfrenta invernos rigorosos e pouco acesso a produtos comerciais e alimentares.

A região é grande produtora de maçãs e abricó então nos deliciamos com ambos …, mas foi só…frutas e verduras são bastante escassas.

Torcemos para que o turismo mundial possa se tranquilizar e descobrir esta região, levando crescimento econômico e trazendo consigo esta fotografia interna de estar tão perto do céu!

OMÃ

Nossa rápida passagem por Omã foi em consequência de um layover propositalmente prolongado em Dubai, a caminho do Paquistão.

Verificamos que podíamos alugar um carro e dirigir até Muscat a partir de Dubai, após alguns tramites burocráticos na fronteira.

As estradas prometiam ser boas com sinalizações em inglês.

No dia anterior a nossa partida de São Paulo escrevi um último email para a locadora para anunciar a nossa chegada e conferir se estava tudo ok, e qual foi a nossa surpresa quando a locadora informou que recentemente a fronteira foi fechada para carros alugados…

Como já havíamos feito reserva no hotel de Muscat, somado a falta do que fazer em Dubai, uma vez que já conheço a cidade, ficamos procurando uma outra solução…

Acabei entrando em contato com uma empresa de taxi de Muscat que providenciou um translado de ida e volta a partir de Dubai. Ficou um pouco mais caro que o aluguel do carro, mas nada significante que valesse a pena suspender a viagem.

O simpático motorista Omar veio nos buscar, e após as 5 horas de viagem de ida e outras 5 de volta ele acabou ficando amigo, nos levando até sua casa e nos fazendo prometer que ficaríamos hospedados com ele numa próxima oportunidade.

Omã é este país na península arábica, vizinho aos Emirados Árabes ao norte, Iêmen ao sul, Arábia súdita ao oeste e Mar Arábico ao leste.

É governado por um sultanato, ou seja, uma monarquia absoluta.

Diferentemente dos países vizinhos não é totalmente dependente do petróleo, tendo o turismo, agricultura e pesca como outras fontes de renda.

É reconhecido por ser um país mais tolerante e acaba desenvolvendo um papel mediador em alguns conflitos da região.

Mas, é certo que fomos aconselhados a não falar sobre religião, sobre o sultão, ou fazer perguntas pessoais às pessoas, especialmente referente a família, esposa e filhos.

O grosso do turismo se desenvolve mais ao sul do país, onde existem resorts maravilhosos a beira do mar ou dos famosos Wadis.

Wadis são leitos de rio, na maioria das vezes seco ao longo do ano, mas que nos períodos chuvosos se enchem de água e acabam formando um oásis ao redor, que contrasta imensamente com o deserto em torno.

Alguns Wadis possuem água o ano todo formando uma paisagem linda!

Como Omã possui uma imensa cadeia montanhosa desértica, estes wadis ficam preciosamente incrustados nos vales desta cadeia.

Muscat é uma cidade de porte médio tentando resistir a “pegada” da vizinha Dubai não tendo arranha céus ultramodernos, mantendo um ar de cidadezinha do interior.

Tem um corniche lindinho beirando a parte velha da cidade, onde está localizado o principal bazar da cidade, mercado de peixes, restaurantes, e especialmente o imenso iate do sultão estacionado na baia.

O souq local é bem diversificado, com uma área para os turistas e outra para consumo dos locais.

Um passeio imperdível é a visita à mesquita do sultão Qabus.

É lindíssima! E tem um período determinado para visitas turísticas. Interessante é uma sala adjacente a mesquita, onde é oferecido um chá com tâmaras e onde algumas pessoas muito simpáticas estão disponíveis para tirar nossas dúvidas sobre o islamismo e costumes locais relacionados à religião.

Como não tínhamos tempo para nos dirigir ao turístico sul, alugamos um carro e nos dirigimos à cidade de Nizua a 1 ½ hora a oeste de Muscat.

A cidade nos foi apresentada pela internet como tendo uma arquitetura antiga bem preservada e alguns pontos turísticos interessantes.

O mais interessante, que seria a feira de ovelhas, que ocorre na cidade uma vez por semana não aconteceria nos dias que estávamos por lá, então nos atentamos aos outros pontos turísticos.

E foi algo decepcionante… o souq e o forte de Nizua parecem pertencer à Disneylandia, com poucos produtos interessantes para apreciar. O calor de 40 graus ao meio dia tira as pessoas da cidade e tudo parece muito sem graça.

Tem um mercado local de alimentos, que chamou mais atenção; onde pessoas degustavam o chá local Karak (uma mistura de chá, leite, cardamomo e outras especiarias) e o doce Halwa, a base de açúcar de cana.

Nas redondezas de Nizua visitamos o belíssimo castelo Jabreen construído em 1675 e muito bem conservado. Na época foi local de aprendizado de medicina, leis islâmicas e astrologia.

Não queria ir embora de Omã sem ao menos visitar um Wadi, e acabamos descobrindo um no caminho de volta de Muscat, o Wadi Qurai. Perdido num canto da vila de mesmo nome, foi um passeio surpreendente e cheio de aventura a 40 graus….

Ao entardecer nos dirigimos à uma praia local, para ter o gostinho de entrar no mar arábico.

A praia fica abandonada ao longo do dia, mas com a diminuição de temperatura, começa a receber famílias no fim da tarde.

Basicamente crianças e alguns homens entram na água…mulheres ficam na areia bem cobertas, só observando…

Coisas de país mulçumano…

AZERBAIJÃO

Geograficamente observamos que o Azerbaijão é entrecortado pela Armênia, ficando a região de Naquichevão entre a Armênia e a Turquia. Originalmente esta região pertencia a Armênia, mas após o genocídio armênio e com a retirada dos turcos, ficou sobre influencia azari e assim permanece até os dias de hoje.

Todas estas questões fronteiriças, étnicas e politicas geram muita tensão na região culminando em conflitos armados como o atual na região de Nagorno/Karabakh.

Como um dos países menos prejudicados do Cáucaso na dissolução da União Soviética, a cidade de Baku apresenta uma pujança, e desenvolvimento a todo vapor.

Quando digo que o Azerbaijão não se prejudicou tanto com a dissolução da União Soviética, foi porque ele tem enormes recursos naturais, como o gás e o petróleo que brotam à flor da pele em alguns locais.

A Rússia é o seu maior parceiro comercial, e Israel um de seus maiores aliados políticos.

Considera-se que o atual presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, tem um grande poder de mediação na política global, bom para eles…

Afastando-se muito pouco do centro da cidade de Baku já se observa incontáveis poços de petróleo retirando o ouro negro da terra…

Nesta curta passagem pelo Azerbaijão conhecemos somente a capital Baku e alguns pontos turísticos ao redor.

Numa foto grosseira da cidade, posso dizer que ela possui um centro medieval fortificado, bairros e avenidas que lembram Paris, de tão europeias, e novos edifícios super modernos, estilo Dubai.

Inicialmente visitamos a antiga cidadela fortificada, onde inicialmente, conhecemos o palácio de Shirvanshah, datado do sec XV e bastante interessante. Saindo de lá e caminhando pelas ruelas desta cidadela fortificada passamos por inúmeras lojinhas, ateliers, restaurantes e caravançarai chegando a torre de Maidan.

Esta torre remonta a períodos pré-históricos, tendo servido a vários propósitos ao longo da história, dando margem há muitas lendas e fabulas relacionadas a ela.

Em algum momento ela já esteve localizada junto ao mar Cáspio, mas, na medida que aterraram toda uma área ao longo do mar, por onde hoje passa uma grande avenida, jardins e edifícios, a torre acabou ficando mais afastada. Mas, mesmo assim quando se sobe até o ápice, tem-se ainda uma belíssima vista 360 graus do mar e de toda a cidade de Baku.

O centro da cidade é cortado por avenidas muito movimentadas e edifícios do sec XVIII, que neste período estavam todos exibindo a bandeira do Azerbaijão , no sentido de avalizar o governo nos conflitos atuais com a Armênia.

Bem, não que estas bandeiras foram colocadas de forma espontânea pela população. Na verdade esta democracia presidencialista é governada há anos pelo clã de Heydar Aliev de forma bastante ditatorial.

Nosso hotel, (que achei que tinha entrado no túnel do tempo, de volta ao anos 20 soviéticos), era extremamente bem localizado ao lado da Praça da Fonte, de onde partem ruas de muito comercio e restaurantes.

À noite, como em todos os países da Ásia Central, as ruas ficam lotadas de famílias e jovens passeando pelos parques , lojas e ao longo da bulevar que beira o mar.

Comer um kebab com ayram é programa obrigatório, ou mesmo sentar numa mesa ao ar livre experimentando a culinária local e assistir a movimentação é bem prazeroso.

Acho que nunca vi um edifício de tamanha elegância quanto o premiado Centro Heydar Aliev que foi projetado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid em 2003.

O passeio no Centro dá a possibilidade de apreciar a arquitetura interior e varias outras exposições permanentes e temporárias.

Outro passeio que amei foi a visita ao museu do carpete, que tem o formato de um tapete enrolado. a visita é guiada e pode-se aprender sobre os vários tipos de tapetes regionais.

De frente ao museu do carpete parte um bondinho que sobe para o parque o High Land Park onde se tem outra maravilhosa vista da cidade.

Passeios ao redor de Baku incluem o Museu dos petroglifos que é listado na UNESCO e que tem um enorme parque adjacente a ser percorrido a pé, observando nas rochas a arte rupestre, datada de 10000AC.

Nesta mesma região de Gobustan, acessamos os vulcões de lama, que são formados a partir de gases que são expelidos do interior da terra. Extremamente interessante, pois esta lama é fria, e ainda tem alguns europeus malucos que tomam banho nela e depois se lavam numa pequena lagoa ao lado.

Interessante é que para chegarmos a este local a agencia de turismo disse que trocaríamos de carro para um 4×4 pois o terreno é bem irregular e impossível para um carro comum.

Em determinado local da auto estrada paramos, e nos aguardava um lada russo, caindo aos pedaços que nos dirigiu, off road, aos tais vulcões de lama.

No dia seguinte visitamos a península de Absheron, diretamente ao templo do fogo Ateshgah. No século XVII este templo foi construído pela comunidade hinduísta de comerciantes. Tinha também funções comerciais e de caravançarai.

Mas historicamente, tem relação com o zoroastrismo onde se estabeleceu o templo do fogo e eventualmente uma torre do silencio ( onde os zoroastras depositavam seus mortos para serem devorados pelos abutres, de acordo com a tradição) É um local contemplativo e que transmite bastante paz.

Nossa ultima parada foi Yanar Dag, que devido a uma concentração de gás natural está eternamente em chamas.

Gostaria de acrescentar que fizemos esta viagem aos países do Cáucaso, toda organizada por uma agencia de viagens. Mas uma vez terminada, entendo que não necessariamente precisa ser assim, pois são países de fácil trato e que com um pouquinho de tranquilidade da para executá-la de forma autônoma.

GEÓRGIA

Atravessamos para a Geórgia por terra, vindo da Armênia.

A diferença foi gritante nos primeiros metros dentro do país…Melhor asfalto, carros mais novos e paisagem mais verdejante, cultivada e organizada.

Chegamos em Tbilisi e nos alojamos num hotel novo perto do centro. O que foi um alivio pois os hotéis em Yerevam eram velhos e deixaram a desejar.

A região turística do centro da cidade é uma gracinha com muitas coisas para visitar e descobrir.

Com influencia dos vários períodos de ocupações ao longo da sua historia, visitamos locais de de arquitetura, otomana, art nouveau, e brutalismo russo. Tem até uma ou outra construção modernista que, na minha opinião, de gosto bem duvidoso.

Um teleférico nos levou a uma fortaleza do século IV onde tem uma belíssima vista da cidade. Na parte baixa visitas a catedrais, sinagogas, mesquitas e banhos turcos.

Além de um movimentado comercio com muitas lojas, hotéis e restaurantes existe opções infinitas de lojas onde vendem os famosos vinhos da Geórgia. Passamos bons momentos nestas lojas aprendendo e degustando os vinhos locais.

A historia mais recente da Geórgia diz que ela foi anexada ao Império Russo, e após breve período de independência foi ocupada pela União Soviética em 1921.

Em 1991 ocorreu a independência do país de forma muito turbulenta com distúrbios civis e domínio de gangsteres que provocou grande instabilidade no país.

A Revolução Rosa de 2003 libertou o pais desta máfia estabelecendo reformas democráticas no país que perduram até hoje.

Em 2008 houve um conflito com a Rússia e esta ocupou 20% do país atual na região das montanhas caucasianas. A Geórgia tem bom relacionamento com os vizinhos; menos com a Rússia, obviamente.

O país é católico ortodoxo georgiano e a população muito religiosa e voltada a família.

Principais fontes de renda do país são a cobrança de taxas pela passagem de gasodutos que veem da Rússia, turismo e o muito especial vinho georgiano.

A região de Kakheti é totalmente voltada a produção de vinho de forma totalmente artesanal, Qvevris, onde a uva fermenta em toneis de barro enterrados no chão e quase não passam por filtragem.

Começamos nossa visita para o interior do pais passando por monastérios e a muito interessante cidade caverna de Uplistsikhe, que foi um dos pontos altos desta viagem. O complexo vem desde os tempos helenísticos e mostra a coexistência de monumentos pagãos e cristãos ao lado de uma paisagem deslumbrante.

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Aliás, paisagem é o grande forte desta viagem. Pelas estradinhas do interior passamos por cidades pitorescas e campos com vários diferentes cultivos de maçãs, avelãs, nozes e obviamente enormes vinícolas.

Mas, principalmente, foi a região montanhosa de Svaneti no Cáucaso que mais nos impressionou.

Com base na cidade de Mestia, visitamos toda a região chegando a Ushguli, o mais alto assentamento da Europa (2200ms), que é o ponto de encontro de europeus e outros povos amantes do hiking.

As opções são muitas, e dá para passar alguns dias por lá…Pena que não fomos devidamente informados, então, nossa passagem pelo lugar foi mais rápida do que eu gostaria.

O povo da região, talvez pelo isolamento geográfico, é bastante rude e de difícil trato. As casas de pedra que remontam aos séculos XI e XII tem torres defensivas que hoje dão um aspecto muito pitoresco ao lugar.

De noite, de volta à cidade de Mestia fomos a um cinema bem rustico, onde é exibido um filme de uma cineasta georgiana Mariam Katchvani ,”Dede”.

O filme se passa no rigoroso inverno e conta a saga de uma mulher e famílias locais no período pós guerra de 1992. Foi extremamente interessante e deu vida a tudo que havíamos visto nos 2 últimos dias!

No caminho de volta paramos em Kutaisi, uma cidadezinha bem simpática e visitamos o Complexo de monastérios de Gelati.

Nossa ultima parada antes de voltarmos para Tibilisi for a região vinícola de Kakheti, onde passamos por inúmeros vilarejos visitando mercados, palácios e vinícolas.

Em nosso ultimo dia em Tbilisi demos a sorte de estar acontecendo um feriado na cidade com muitas festividades espalhadas pelos parques e monumentos…foi muito divertido.

Como despedida da Geórgia comemos, pela enésima vez, Kachapuri (que é um folheado recheado de queijo fresco e as vezes ovo) regado a compot (bebida retirada da conserva de frutas da região).

ARMÊNIA

Viajar pela região do Cáucaso não pode se esperar grandes monumentos, ou bazares, ou muita excitação. É um passeio tranquilo para se aproximar da história, cultura, e povo desta região da Ásia central.

Em nosso percurso pela Armênia, Geórgia e Azerbaijão tivemos impressões diferentes de cada um dos países, mas com um assunto em comum…todos detestam a Rússia!

Países da ex- União Soviética, todos, de uma forma ou de outra, saíram feridos na época da dissolução do bloco.

A Armênia, com certeza foi a mais prejudicada dos três.

Com 80% do seu território rochoso e 20% cultivável ela sempre dependeu inteiramente da Rússia em sua economia. Quando da dissolução do bloco soviético a Rússia retirou todo seu apoio ao país e este ficou e está totalmente estagnado.

A sensação de abandono é nítida: casas abandonadas, construções pela metade, grandes mineradoras e fabricas que parecem cidades fantasmas.

Continuamente, famílias inteiras e jovens procuram emigrar para outros países.

O pais que já foi grande exportador de produtos de couro ( especialmente para Rússia) e minério; hoje vive muito em função da ajuda da diáspora armênia ( que perfaz 3 vezes a população atual da Armênia), especialmente a presente na Califórnia.

Dos 20% de área cultivável, a produção é de frutas com uma grande quantidade de frutas secas deliciosas que são ofertadas nos bazares e mercados.

O país é totalmente dependente do gás da Rússia que chega por gasodutos que atravessam a Geórgia a valores astronômicos.

O povo é extremamente religioso e voltado para a família. É um pais católico e foi o primeiro pais no mundo a adotar o cristianismo; com seu próprio papa ( Catholikos). E foi este nosso primeiro passeio ao redor de Yerevan para a cidadezinha de Etchmiadzin, sede do apostolado.

Yerevan é também chamada de cidade rosa, porque quase 100% das construções são feitas com uma pedra vulcânica abundante na região, muito leve, e numa grande variação de tons de rosa .

De qualquer ponto da cidade e arredores pode-se avistar o monte Ararat, que apesar de que está em território turco, para mim foi muito emocionante…Cada vez que olhava para ele parece que via Noé e a arca, estacionada no seu cume, e uma pombinha branca com uma oliveira no bico se aproximando!

Originalmente o monte Ararat pertencia á Armenia, mas foi cedida á Turquia em algum momento da historia como presente da Russia.

Em conversas com as pessoas notamos que o tempo todo o povo, bastante machucado, relata perdas ao longo da história. O que não é sem razão, pois houveram perdas de territórios, o grande massacre dos armênios pelos turcos em 1915 e mais ultimamente o abandono pela Rússia e conflitos com o Azerbaijão.

Hoje em dia, neste época (10/2022) em que viajamos, esta disputa com o Azerbaijão é pelo território de Nagorno/Karaback, que cada lado tem suas razões para dizer que a região lhe pertence…A fronteira entre estes países está fechada e ocorrem trocas de tiros diariamente, quase chegando a prejudicar nossa ida para lá. Mas felizmente o conflito não está se avolumando.

A Armênia tem também conflitos com a Turquia e a fronteira com este país também esta fechada. Então o acesso por terra para a Armênia é bastante complicado.

A noite em Yerevan, como em outros países da Ásia Central é muito alegre com famílias inteiras indo passear pelas praças e restaurantes. Uma delícia! Ficamos horas na praça principal chamada Cascade, onde uma serie de fontes formam um grande monumento com uma vista lindíssima da cidade no seu topo.

Outro passeio obrigatório para que quer conhecer a historia do pais ,foi a visita ao museu do holocausto num belo complexo numa colina ao redor da cidade.

Nosso próximo destino foi o monastério e complexo de Geghard, que foi estabelecido inicialmente numa caverna no século IV e posteriormente expandido e ao redor de uma paisagem deslumbrante. Tem grande afluxo de turistas locais, russos, etc.

O único templo pagão da Armênia é o de Garni que está muito bem reconstruído e também tem um afluxo grande de turistas.

Ao longo do caminho paramos num pequeno galpão onde mulheres confeccionavam o pão lavash dentro de um forno tipo tandori dentro da terra. Ficamos um bom tempo observando e nos deliciando com o pão fresquinho e queijo branco local.

Próxima parada foi o Lago Sevan. É um dos maiores lagos de alta montanha do mundo e realmente é belíssimos. Tem poucas vilas ao seu redor e no verão elas são o destino de férias preferido dos armênios. Lá também houve uma visita a um monastério, o de Sevanavank no alto de um promontório.

Pernoitamos nesta noite em Dilijan, que é uma cidade montanhosa com uma paisagem completamente diferente do que havíamos visto até então. Porque, a maior parte do país tem uma paisagem árida e desértica, enquanto Dilijan parece que estamos numa vila alpina. Muito agradável, e por ser uma cidade bem turística tem vários hoteizinhos e restaurante deliciosos.

A culinária lembra a dos turcos acompanhada de vinho Armênio bem gostoso.

Nossa ultima parada antes de atravessarmos a fronteira para a Geórgia, foi nos monastérios de Haghpat e Sanahim listados pela UNESCO como patrimônio mundial. Estão localizados numa pequena vila e de uma beleza singular.

De uma forma geral gostamos de ter conhecido a Armênia…Saí de lá com o coração um pouco apertado e penalizada pela pobreza e estagnação que vive o país, mas feliz de ter dado a chance de me mostrarem o país e colaborado minimamente com uma movimentação da economia.

UCRÂNIA

Em plena época de ameaças de invasão da Ucrânia pela Rússia resolvi conhecer o país….

Meu avô paterno vem de Odessa e também, após a leitura de um livro que gostei muito “Luar em Odessa” fiquei muito motivada em conhecer a Ucrânia.

Meu desejo maior era ir até Odessa, mas em função da instabilidade politica, não quis arriscar me afastar tanto da capital, caso algo pior viesse a acontecer e eu tivesse que me movimentar mais rapidamente.

Verdade é, que quando comprei a passagem aérea, a situação não estava tão preocupante, mas, nas vésperas da viagem o clima começou a piorar.

Mesmo assim, crente de que nada aconteceria, resolvi arriscar.

Dias antes da viagem entrei em contato com o responsável pelo Airbnb de Kiev questionando se as informações que víamos na internet correspondiam a verdade, e ele me respondeu que as noticias eram exageradas e que a situação estava estável….

Fomos.

Ficamos por 5 dias em Kiev e saímos do país 4 dias antes da invasão pela Rússia.

Ao longo do tempo que passamos lá acompanhávamos diariamente, as noticias para ir balizando os nossos movimentos.

Nem mesmo o povo ucraniano estava acreditando numa invasão eminente, pois, não se percebia qualquer tensão na cidade ou nas pessoas.

Ruas e restaurantes bastante movimentados. Supermercados fartos, sem correria para estocar alimentos, e casas de cambio ou bancos com movimento normal.

Adoramos Kiev!

A cidade é majestosa, me lembrando Moscou numa escala bem menor.

Ficamos alojados num Airbnb bem moderninho, muito bem localizado, ao lado da praça da Independência. É um destes prédios muito antigos sem elevador e que foi adicionado um elevador no vão da escada…O elevador parece um caixão e não cabe mais que 2 pessoas…Pergunta se eu entrei nele? Lógico que não; então foram 5 dias subindo e descendo 6 andares…

O povo tem características muito parecidas com os russos e a língua russa é falada amplamente.

O território que antes era dividido entre varias nações, em 1917, em plena revolução russa se autodeterminou, formando a Ucrânia como país, tendo sido inclusive co-fundadora da União Soviética.

Com a dissolução da União Soviética em 1991 o país se tornou independente.

Em 2014 o presidente em exercício, promoveu um afastamento da União Europeia em favor da Rússia, o que, provocou uma grande insatisfação do povo, resultando na grande manifestação “Euromaidan” , que ocorreu na principal praça da cidade com uma repressão violenta e varias mortes.

Como consequência o governo foi derrubado, mas abriu a uma nova frente de conflito com a Russia com anexação da Crimeia e movimentos separatistas.

Hoje, ao redor da praça vários monumentos foram erguidos em memoria do acontecido e dos mortos na rebelião.

A veia central da cidade está num vale entre 2 colinas sendo que numa outra lateral de uma das colinas passa o rio Dniepre.

A visitação da parte central da cidade se faz num sobe de desce o tempo todo.

As varias igrejas ortodoxas, como a Catedral de Santa Sofia (que foi uma das mais bonitas que já vi no gênero), o mosteiro de São Miguel, são lindas e merecem visitação. O complexo Perchesk Lavra é enorme, com cavernas e centro de peregrinação, e dá para passar ao menos meio dia por lá.

Mesmo tendo ido no inverno visitamos vários parques, especialmente o Marinskyi, onde está localizado o palácio presidencial e outros órgão públicos. A maioria dos parques com lindas vistas da cidade e do rio Dniepre.

Muito interessante é a turística Andrew`s descent que começa na igreja de St Andrew e desce em direção ao bairro Podil. Com restaurantes e banquinhas de rua vendendo artesanato etc, chega-se a um bairro totalmente renovado e um outro hub comercial da cidade. Para voltar para o topo da colina pode-se pegar um funicular muito gracioso que atravessa o parque Volodymyr.

Por uma infeliz coincidência os 2 museus mais importantes da cidade estavam fechados naquela semana, então não posso emitir qualquer opinião sobre os mesmos. Mas me chamou a atenção a pouca quantidade de museus, levando em conta o tamanho e longevidade da cidade.

A culinária é semelhante à russa, ressaltando o famoso “chicken Kiev” , que é um peito de frango, com queijo empanado, que não impressionou muito.

No supermercado Silpo dentro do Gulliver Mall tem uma sessão monstruosa de comidas regionais e é possível inclusive levar para casa pratos prontos deliciosos.

O mais antigo mercado da cidade chama-se Besssarabian market localizado no fim da principal veia comercial da cidade, a Av. Khreschatyk que atravessa a Praça de Independência (Maidan). Lá também compramos peixes defumados e em conserva além de queijos e especiarias regionais.

Como viajamos no inverno, vira e mexe sentíamos necessidade de nos aquecer, quando então entravamos numa das cafeterias da rede “Lviv croissants” para degustar um café e logicamente acompanhado de um croissant delicioso.

Outros pontos turísticos da cidade são:

  • Grande estatua “Mother Land” ao lado do Lavra
  • Teatro da Ópera que apresenta espetáculos ao longo do ano todo entre danças e operas
  • Golden Gate
  • Estação de metro Arsenal, que é a mais profunda estação do mundo, demorando até 5 minutos para se atingir a superfície. Ao lado da estação tem uma loja de chocolates de Lviv, que vale muito a pena. Em frente à estação um muito moderno centro comercial com um antigo mercado que foi transformado em praça de alimentação, bastante sofisticado e com doces maravilhosos.

Faltou irmos até Chernobyl, mas em função da total ausência de turistas na cidade, acabou não se formando nenhum grupo dentro das agências que promovem este tour.

Enfim, muito a se conhecer, mas dentro de um espaço de tempo muito apertado e limitado à instabilidade do momento.

AMAPÁ

O último lugar que pensaria em fazer turismo no Brasil seria no estado do Amapá, pois nunca vi referencias turísticas deste estado, somado à distância a percorrer.

Já que estamos em plena pandemia, e minha última experiência de viagem internacional foi bastante estressante, sentei na frente do computador e comecei a navegar procurando destinos no Brasil.

Inicialmente as ofertas de passeios no estado eram restritas à cidade de Macapá, com tours pelo rio Amazonas, Marco zero, e fortaleza de São José.

Após algum tempo de procura visualizei uma empresa que se apresentava como sendo de turismo ecológico de base comunitária, a Ecocamping.

A proposta era de que ficaríamos alojados em casa de ribeirinhos, experienciando a vida local e conhecendo o entorno da selva amazônica.

Fiquei imaginando que dormiria na rede, dentro de uma casa de madeira bem pobrezinha, infestada de mosquitos transmissores de malária, sem luz, e tendo que fazer cocô numa fossa malcheirosa fora da casa.

Decidimos correr o risco. Me embebi do espírito de aventura e lá fomos nós!

A cidade de Macapá oferece poucos atrativos, mas só a visão de rio Amazonas, que mais parece um mar, já vale muito a pena.

Fizemos um passeio de barco pelo rio, visitando a ilha de Santana a partir de um subúrbio da cidade. Noutro dia percorremos os pontos turísticos da cidade.

A culinária é amazônica, baseada em peixes, especialmente o “filhote”, e camarão salgado no bafo. Tacacá e maniçoba não podem faltar, regados aos sucos de cupuaçu e tapereba.

Viajamos de Macapá a Porto Grande onde imediatamente pegamos uma voadeira de alumínio e começamos a subida do rio Araguari até a FLONA (floresta nacional).

Aí começa o espetáculo amazônico!!!

A selva é de uma grandiosidade inexplicável! Os rios são verdadeiras autoestradas, ladeados por uma muralha de vegetação absolutamente exuberante.

Após 4 horas de barco chegamos na casa de dona Glorinha.

Nada do que tinha imaginado correspondeu a realidade.

A casa foi preparada para receber o turista da forma mais confortável possível.

A família ocupa dois quartos, adjacentes a um grande salão que funciona como sala de estar, refeitório e quarto.

De noite as redes são penduradas com cordas e envolvidas com mosquiteiros. As laterais deste salão são abertas, o que é bom porque ventila bem o ambiente, mas a sensação de segurança é absoluta.

O banheiro está no corpo da casa e consiste de privada com descarga, e chuveiro. No momento o banheiro só estava fechado por uma cortina, porque a família ainda não teve o recurso para colocar uma porta, mas está nos seus planos a curto prazo.

Tínhamos um gerador que funcionava por poucas horas de noite, mas que permitia ver a “novela” e ativava o wifi que apesar de não ser muito potente era suficiente para a comunicação com o “mundo externo”.

Isto mesmo, pois a sensação é de que estávamos absolutamente isolados numa grande bolha verde!!

No caminho até a casa de d. Glorinha passamos por casinhas ribeirinhas aqui e acolá, na maioria pertencendo ao mesmo grupo familiar.

Fomos extremamente bem recebidos. A família nos acompanhou em todas as atividades (percorrido pela selva, almoço na casa de d. Loura, banho no rio etc) fornecendo uma quantidade enorme de informações de quem tem absoluto conhecimento e domínio da selva.

As refeições eram deliciosas, bem servidas com peixe e carne de caça.

A curiosidade era mútua, e a troca de conhecimentos (geralmente feita durantes os banhos de rio) favoreceu a ambos os lados.  

Vi uma riqueza e solidez interior muito diferente da insegurança e estreiteza cultural a que se submetem os que migram para as cidades grandes a procura de uma vida “melhor”.

Entendo a falta de opções de sobrevivência, limitada basicamente a exploração do açaí, na época da colheita, uma vez ao ano.

Mas, as mulheres locais montaram uma Associação para fabricação de sabonetes medicinais a base de componentes da floresta.

O produto é primoroso, e o projeto, com a ajuda de um instituto governamental está se encaminhado de forma maravilhosa.

Esta atividade, associada ao veio turístico de base comunitária, pode favorecer o sustento de forma mais sólida, refreando a procura de trabalho em garimpos e desmatamentos ilegais ou mesmo a fuga para os grandes centros.

Com muito pesar deixamos aquela comunidade para iniciarmos a segunda etapa da nossa aventura que foi a estadia no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.

Mais algumas horas de estrada de terra chegamos ao vilarejo de Água Branca do Amapari, onde em 2 barcos subimos o rio Amapari para o pernoite numa casa ribeirinha. Esta tinha luz e internet ao tempo todo pois era relativamente próxima do vilarejo.

Lá também as redes foram estendidas no terraço para o pernoite.

Logo após a nossa chegada fizemos um hiking bem puxado para o topo de uma montanha que foi local de extração de manganês algum tempo atrás. Hoje, o sitio da extração se transformou num lindo lago, azulado e absolutamente transparente onde pudemos nadar à vontade nos recuperando do grande esforço feito.

Seguimos o dia seguinte para a sede do Parque Nacional.

É o maior parque do Brasil e seus limites envolvem também os países vizinhos Guiana Francesa e Suriname.

Os dois barcos se fizeram necessários, uma vez que um deles levava a cozinheira e toda a estrutura para o acampamento na sede, e o outro nos levava (um grupo de 6 turistas e uma guia local).

Foram seis horas de barco até a sede, num rio bastante perigoso, com muitas pedras e corredeiras ao longo do caminho, que somente um barqueiro muito treinado consegue navegar.

Após a primeira hora de navegação já não se via nenhuma casinha ribeirinha, significando que adentramos ao coração da selva amazônica.

Chegamos ao entardecer na sede do parque, que consiste de um grande barracão, com espaço para pendurar as redes, um espaço para uma cozinha rustica e mesas para as refeições.

Ao redor existem mais dois barracões menores, para possibilitar acomodação de um grupo maior, e mais adiante duas fossas. O banho logicamente era no rio.

Na época da inauguração do parque a sede chegou a ter geradores para captação de agua e a possibilidade de luz algumas horas da noite. Mas o próprio isolamento do lugar com a dificuldade de controle impossibilitou a manutenção desta infraestrutura mínima.

A água era captada no rio com baldes e a falta de luz proporcionou noites deliciosas a luz de vela e breu branco, contando “causos” ao redor da mesa.

Muito interessante, que apesar de estarmos tão isolados, não senti medo algum, pois estávamos acompanhados de pessoal local, que estavam completamente à vontade no seu habitat natural.

Fizemos inclusive um passeio noturno, na esperança de avistar alguns animais, que durante o dia acabam se isolando, ao sentir a presença humana.

Após duas noites e dois dias, com muitas incursões na selva e muito banho de rio, começamos a nossa longa volta para casa.

Aos meus 65 anos de idade, foi uma viagem de um desafio físico muito grande, um imenso espírito esportivo para enfrentar a falta de comodidade, o medo da malária, e a insegurança de que no caso de alguma intercorrência, o socorro seria bastante complicado.

Mas venci.

Minha botinha de caminhada não vai se aposentar tão cedo, e fica o gostinho de que muitas outras boas aventuras ainda são possíveis!!

BÓSNIA

Está foi nossa segunda viagem à Bósnia.

A primeira havia sido em 2014 à cidade de Mostar, juntamente com a visita à Croácia e Montenegro.

Desta vez foi um desvio de nossa estadia na Servia.

Posso dizer que dentre os países dos Bálcãs não é o mais bonito, mas com certeza o mais intenso emocionalmente.

Lógico que, em função de uma longa história de ocupações: pelo império romano, império turco-otomano e austro-húngaro.

Mas na história mais recente, sofrimentos nas I e II guerras mundiais; comunismo, fazendo parte da então Iugoslávia, até a dissolução da Iugoslávia e consequente guerra da Bósnia, trouxeram traumas e consequências econômicas até os dias de hoje.

Uma boa parte da Bósnia é montanhoso, com vales e cumes de tirar o fôlego.

O percurso da Servia até Sarajevo foi bastante lento em função das curvas das estradas e caminhões pesados que encontramos pelo caminho, mas que na verdade nos deu a oportunidade de apreciar mais a paisagem.

Sarajevo, a capital, foi importante centro comercial, e ao longo dos séculos e comunidades ortodoxas, muçulmanas, e judias conviveram pacificamente no local.

No mundo moderno, a população judaica foi dizimada na segunda guerra mundial e os bósnios de etnia servia ortodoxa e os bósnios de etnia muçulmana acabaram se confrontando na guerra da Bósnia em 1992.

A história dos Balcãs é extremamente confusa e difícil de entender. São brigas de etnias que convivem lado a lado e que persiste até os dias de hoje.

Quando se dirige pelo país passa-se por regiões com avisos fronteiriços de entrada ou saída da Republica Srpska (Ortodoxos) ou Bósnia-Herzegovina (muçulmanos). Na prática não se vê nenhuma diferença, a não ser a maior presença de mesquitas de um lado, ou de igrejas ortodoxas de outro.

Mas na administração do país as diferenças estão mantidas, pois o país é governado por 3 presidentes que representam diferentes etnias e que se alternam a cada 8 meses. Então, imagina o desmando que deve ser, com aberturas para corrupção e conflitos.

Sarajevo está incrustada num fundo de vale dentro da Republica Srpska, mas envolta numa região montanhosa pertencente a Republica Bosnia-Herzegovina.

Somente num gargalo montanhoso ela se comunica com o resto da Republica Srpska.

Isto definiu o cerco de 1400 dias que a cidade sofreu pelo exército da Republica Srpska onde snippers atiravam livremente da privilegiada posição nas montanhas contra os cidadãos da cidade numa tentativa de intimidação e limpeza étnica.

Foi nesta época que os cidadão construíram um túnel subterrâneo embaixo do aeroporto bem no gargalo do cerco para receber mantimentos e armamentos dos aliados.

Ainda hoje vemos marcas da guerra pela cidade com buracos de balas nos edifícios e no chão, atingidos por bombas. Alguns destes buracos no chão, chamados de “rose”, estão identificados e pintados de vermelho mostrando que ali no mínimo 3 pessoas foram mortas.

Mesmo em tempos de pandemia, a cidade estava bastante movimentada, mas, basicamente de população local. O que não nos deixou muito confortáveis, uma vez que ninguém usava máscara.

Os turistas estrangeiros estão devagar retomando a visitação.

Chegamos em Sarajevo no dia de aniversário do massacre de Srebrenica (localidade alguns quilômetros ao leste) onde a população masculina muçulmana foi dizimada e mulheres violentadas. Com a omissão da ONU, que cuidava do local e que não fez nada para impedir.

Ao longo do dia, alto-falantes pela cidade ficaram repetindo os nomes dos 9373 bósnios assassinados no evento.

A cidade velha é pequena e bem demarcada com construções de herança turca (ruelas com mesquitas bazares e restaurantes) e herança austro-húngara onde se tem impressão de caminharmos em Viena.

A comida na região turística é de pratos e doces típicos. Mas a melhor Bureka da minha vida comi num fast food chamado Forino já no fim da área de pedestres, por 1 euro a porção.

Ficamos nesta segunda passagem pela Bósnia tão bem impressionados quanto da primeira vez e penso que numa viagem aos Balcãs esta é uma visita que não deve faltar.

SERVIA

Viajar em tempos de pandemia é um desafio…      

Aproveitando que o COVID deu uma pequena pausa na Europa, com liberação de alguns destinos para brasileiros, e estando devidamente vacinados, fomos conhecer nosso netinho que nasceu há 6 meses.

Na impossibilidade de entrar no país onde mora meu filho combinamos de nos encontrarmos na Servia, que seria conveniente para todos.

Requereu uma certa organização e tolerância.

– PCR para sair do Brasil e entrar na Servia.

– Antígeno para ingressar na Bósnia.

– PCR para reentrar na Servia e voltar para o Brasil.

É relativamente barato viajar nos Balkans.

A Servia é um pais onde a economia parece estar estagnada, e não vemos industrialização ou obras acontecendo nas estradas e cidades.

O sul é bastante montanhoso, enquanto que o norte por suas planícies é considerado o celeiro do país. E foi para lá que nos dirigimos.

Alugamos uma casinha bem isolada numa vila aos pés do Fruska Gora (uma montanha que se destaca naquela imensa planície) é que é um parque nacional.

A vila Vrdnik, é um balneário turístico em função das termas locais. Então, foi muito agradável ficar esta semana por lá. O clima era de férias de verão com a cidade lotada de turistas.

A região oferece vários daytrips o que foi muito conveniente para um bebe pequeno, como o nosso.

Vários mosteiros ortodoxos do séculos XV podem ser visitados. Eles apresentam na maioria a mesma formação arquitetônica com um corpo residencial onde as freiras ou monges estão alojados que circunda a uma igreja, sempre muito bem conservada.

O vinho da Servia está ganhando fama no mercado e pudemos visitar algumas vinícolas locais onde compramos vinhos deliciosos por 3 a 4 Euros.

Um dos passeios que fizemos foi a Novi Sad, que é a segunda maior cidade da Servia. À beira do Danúbio, é uma cidade sem modernização alguma, apresentando o mesmo aspecto que na época da dissolução da União Soviética. Possui vários prédios históricos que registram um passado turbulento e uma sinagoga do começo do século XX que hoje não tem mais esta função, mas que por sua acústica perfeita é palco de concertos.

Neste ano a cidade de Novi Sad foi escolhida como a capital da cultura na Europa. É lá que acontece o Exit festival que estava começando no período que estávamos por lá.

Foram construídos 40 palcos pela cidade e fortaleza e um desafio para o governo juntar milhares de pessoas em tempos de COVID.

A fortaleza de Petrovarin é uma antiga fortaleza originalmente ocupada pelos romanos e, mais tarde reconstruída no século 17 pelo Império Austro-Húngaro como um barreira contra a invasão turca.

É uma majestosa visão para quem navega pelo Danúbio.

O Danúbio sempre foi no meu imaginário sinônimo de romantismo, e fez jus a isto. É um rio imponente que corta a Europa oriental, passando por grandes capitais, campos e cidadezinhas charmosas.

Outro daytrip foi a cidadezinha de Sremski Karlovci. Tendo sido no século XVII o centro da Igreja Ortodoxa Servia, é uma cidadezinha muito charmosa. Possui várias construções de arquitetura Austro-húngaras, e ruelas com vinotecas e restaurantes que podem ocupar o dia todo de visitação.

Belgrado, a capital, está localizada na confluência dos rios Sava e Danubio.

Dando uma belíssima visão desta confluência está o Parque Kalemegdan .

É um parque enorme com várias atrações, sendo a mais importante delas o forte que sobreviveu a 2000 anos de conflitos.

O bairro de Skardalija bem no centro da cidade é onde acontece a vida noturna da cidade com muitos restaurantes com comidas típicas e música ao vivo.

Falando em comida, a Servia tem a culinária que remete aos turcos-otomanos que ocuparam a região por muito tempo (baclavas, charutinhos e cepavcici, que são linguicinhas ao estilo shishkebab) e, resultado da ocupação do Império Austro-húngaro doces maravilhosos que lembram as docerias vienenses. Outra delícia local é o Ayvar, uma pasta de pimentão condimentado que acompanha carnes em geral.

Outros pontos de visitação na cidade são: a Igreja Ortodoxa de St Sava, a Praça da República, e a principal e muito movimentada região comercial da cidade, aberta somente para pedestres, muito alegre, com restaurantes na calçada e …ninguém usando máscaras.

Somente em lojas, supermercados, e transportes coletivos o uso de máscara é obrigatório, mas mesmo assim não muito controlado.

Naquele momento, 40% da população já havia sido vacinada e alguns locais de vacinação por onde passamos não vimos movimento algum de pessoas entrando ou saindo.

A verdade é que fora o stress dos aeroportos e voo, me sentia muito menos exposta ao vírus na Servia ( onde a taxa de contaminação estava pequena)do que me sinto no Brasil, hoje em dia.

TURQUIA

BBB é como eu defino a Turquia.

Boa.

Bonita.

Barata.

Um país extremamente fácil de viajar, de um povo muito alegre, falador e comida maravilhosa. Culturalmente muito rico, e bastante acessível economicamente.

A Turquia tem grande variedade de locais turísticos a serem visitados e foi difícil estabelecer um roteiro.

Entrei em contato pela internet com uma agencia local que organizou todos os nossos translados.

Fiz reservas de hotéis pelo “booking”, e de resto foi por nossa conta mesmo.

Interessante foi a nossa estadia em Istambul.

Na época eu fazia parte de um site “Homeexchange”, e nesta viagem foi a minha primeira experiência de troca de casa. Primeira de poucas, porque não achei muito interessante não, e acabei me desvinculando alguns meses depois.

Ficamos alojados num moderno conjunto residencial composto de algumas torres, mas relativamente afastado do centro.

Foi difícil achar o local pois o bairro era novo e poucos motoristas conheciam.

Tivemos inclusive uma experiência bastante estressante com um motorista de taxi. Após dar voltas e voltas pela cidade, insistindo em dizer que sabia o caminho, mas que claramente estava fora, acabou nos largando no meio do nada num bairro qualquer depois de uma enorme briga.

Graças a ajuda de um senhor muito fofo, conseguimos voltar ao caminho correto.

Mas acabou sendo uma experiência interessante “viver” por alguns dias como um habitante local. O apartamento era ótimo!

Istambul é estupenda e iluminada.

A visão do estreito do Bósforo é maravilhosa. Vista de vários ângulos, pelo alto, a partir do Palácio Topikapi e ao longo da orla, dá a exata medida da movimentada vida da cidade.

No porto, próximo à saída do bazar de especiarias, ficam algumas embarcações atracadas vendendo sardinhas fritas, numa churrasqueira, no próprio deck do barco…

O lugar fica absolutamente lotado e dá para sentar nas embarcações e degustar um lanchinho ao ritmo do balanço da maré. Imperdível…

O local que mais me impressionou foi a Cisterna de Filoxeno em Sultanahmet.

Este antigo reservatório de água foi construído no sec V d.C. debaixo do palácio de mesmo nome. As 212 colunas são de mármore numa altura de 15 metros e a capacidade da cisterna era de 40000 m3 de água.

Tive a sorte de visitá-lo num momento de pouquíssimos turistas, então, a iluminação, mais a música de fundo, criou um ambiente etéreo que me tocou profundamente me levando às lágrimas.

A Hagia Sophia fazia parte dos monumentos que mais desejava conhecer na vida. Basicamente para conhecer a segunda maior cúpula do mundo depois do Vaticano. Foi inicialmente uma catedral bizantina, depois católica romana, mesquita e finalmente transformada num museu. No início deste ano de 2020 houve um decreto transformando-a em mesquita novamente. Sé espero que isto não prejudique a visitação.

Fiquei chocada na visita ao museu do tapete quando vi no pátio, do lado de fora, os carpetes sendo lavados com uma máquina “lava-jato”. Eu, que tinha tanto cuidado com meus tapetes, agora lavo da mesma forma sem prejuízo algum.

Favas contadas de que seria uma roubada, foi a nossa ida a uma leitora da borra de café no fundo da xícara. Foi difícil chegar até ela e tivemos que perguntar incansavelmente ao redor da praça de Taksim.

Acabamos encontrando uma mulher. Mas, chegou a ser engraçado de tanta “abobrinha” que ela falou, e saímos de lá rindo muito…

Depois da visita à todos os outros pontos turísticos da cidade, que são muitos, partimos de ônibus para a Capadoccia.

A Capadoccia é uma região central da Turquia que envolve várias cidadezinhas e vilas. Opta-se por um vilarejo como ponto de apoio, e a partir daí pode-se visitar os locais turísticos ao redor.

Ficamos alojados num hotel “caverna” onde nosso quarto era literalmente numa caverna troglodita. Não tem o conforto de um quarto de hotel, mas, valeu a experiência.

Fizemos o famoso passeio de balão, que honestamente, não achei que vale o preço que cobram, mas, todo mundo faz, e acabei indo também. Fiquei bastante tensa e só depois de um tempo comecei a aproveitar o visual, pois estava mais preocupada que meu balão não batesse em outro e caísse…

Outra evento legal, foi que, por coincidência, o agente que organizou nossa viagem tinha o casamento de um amigo naquela região, e insistiu que fossemos junto.

Num primeiro momento ficamos preocupados em não ter uma roupa adequada para a ocasião. Vesti o que tinha de melhor na mala, e foi mais que o suficiente…

 As pessoas estavam vestidas de maneira bem simples, e nos sentimos relativamente à vontade, apesar dos olhares estarem sempre voltados para nós.

Presenciamos a cerimonia, danças e comidas que servem nesta ocasião.

Houve uma tentativa de comunicação por parte dos convidados; mas não falavam inglês, e através de gestos e mimicas nos entendemos um pouco.

Foi bacana, pois os turcos são muito alegres e simpáticos e fomos muito bem recebidos na festa.

Seguimos então para Pamukkale, que é composta de uma série de piscinas termais de origem calcárea ao longo de uma colina, bem perto da cidadezinha de Denizli, onde ficamos hospedados.

O passeio é lindíssimos e já fomos de maiô para podermos nadar nas piscinas.

Aliás, toda a preocupação que se tem em países mulçumanos com relação a vestimenta, não faz sentido na Turquia. O país é supermoderno, e especialmente na capital, as mulheres se vestem de maneira bem informal inclusive usando shorts e ombro de fora.

E também, no banho turco que experimentamos, que era misto, ficamos de maiô ao lado de homens e mulheres sem constrangimento algum.

Lógico que, à medida que se viaja para o interior tende a ser mais conservador.

No mesmo parque visitamos Hierápolis, que são um conjunto de ruínas greco-romanas bastante interessante.

Nosso último destino na Turquia foi a visita à Efesus.

Ruínas muito bem conservadas de uma cidade grega antiga, que fica a 3 quilômetros de Selssuk, onde nos hospedamos.

Acordamos ao lindíssimo som do muezim chamando para a reza matutina e foi lá que comi a melhor baclava de minha vida.

Éfesus fica lotado de turistas pois é próximo também de Kussadasi, balneário onde aportam vários cruzeiros.

Fomos até Kussadasi para ter uma ideia do região costeira da Turquia. Demos uma volta pela orla e almoçamos na cidade, retornando depois para Selssuk. Foi bom.

E foi aí que terminou esta nossa viagem.

Penso que se tivesse mais tempo, ou, numa outra oportunidade gostaria de conhecer a região mais afastada do país em direção ao Oriente, até o monte Ararat.